Síndrome de IOSATCCAE

Depois de assegurar minha cópia de Destroy All Humans 2 e “começar a adquirir” o torresmo de Bully, passei por um fim-de-semana agitado. Guardem esse nome: Bully. Esse jogo ainda vai ser pauta do Superpop e do Sabadaço. Já imagino até as pseudo-personalidades. Porém, se você ainda não desanimou com o começo do post, fique com a gente que até o final disso há algo de interessante. Independentemente de não haver figuras neste post, pois quero passar uma imagem séria devido à… seriedade do assunto.

Nesse FdS iRaDuH, vários acontecimentos incríveis vão acontecer ou já aconteceram, como é o caso do aniversário de Jack, que agora pode ser presa, processada e não tem mais convênio odontológico familiar. Aliás, a festa de Jack é praticamente o motivo deste post. Antes de dizer qualquer coisa sobre a festa, quero elogiar a infra-estrutura do banheiro oferecido por nossa amiga Jack. Eu, como profundo conhecedor – e destruidor, talvez – de banheiros alheios, nunca encontrei um com tantas qualidades reunidas em um mesmo lugar. Até mesmo o meu maior pesadelo quando o assunto é banheiro, a descarga, funcionou de forma primorosa. Falo sobre isso mais tarde, quero só parabenizar a aniversariante pelo ótimo banheiro.

Durante a festa, piadas internas e fotografias manjadas, como todo aniversário. Cervejas, bolo de sorvete (tá na moda isso?) e torradas com patê de atum depois, fomos embora. Durante o longo percurso de retorno à minha confortável casa, brota nas conversas entre amigos o assunto que eu mais admiro e mais tenho medo: extraterrestres.

Quando pequeno, eu morria de medo de muita coisa. Do Fim do Mundo, medo de morrer, de perder os pais, de ficar pobre, de ir para o inferno, de reincarnar como alguém menos afortunado que eu e claro, extraterrestres. Grande parte desses medos foi embora junto com minha puberdade, mas um que permanece é o medo de extraterrestres. Todas as vezes que tocam no assunto – filmes, revistas ** ou conversas descontraídas – meus olhos enchem instantaneamente de lágrimas, ao mesmo tempo que um iceberg gigante percorre minhas costas sem deixar marca de líquido nenhum. Seria gelo seco? Ok. Chega sim a ser medo, mas também admiração. É uma coisa estranha, que neste exato momento faz com que eu mande uma mensagem para o onipresente Kelberoth e reclamo sobre a dificuldade que é, para mim, escrever sobre este assunto.


Sem SS é fake.

Podem perguntar para minha irmã e mãe, estou falando a mais pura verdade. Eu me cagava todo quando começava no Fantástico alguma matéria sobre vida em outro planeta – geralmente a edição enchia a reportagem de flashes contendo seres estranhos, cabeçudos, com membros deformados e tudo mais. Aquelas imagens me marcaram de um jeito tão obscuro que hoje eu não consigo ver vídeos de aparições de extraterrestres, mesmo montagens absurdas.

Um caso que aconteceu comigo, no entanto, supera esses fatos em uma escala medida em anos-luz. Embora qualquer causo de aparições de discos voadores seja encarada como ceticismo, não quero convencê-los de que isso é verdade ou não. Eu era novo e, como dito, cagão para esses assuntos. Viagens noturnas eram um sofrimento comparado a ter que assistir O Vingador do Futuro em bullet-time dublado por crianças romenas. Olhar para os céus era uma coisa que eu nunca, jamais faria quando estivesse sozinho.

Numa dessas viagens noturnas para São Paulo, certa vez, estávamos eu e minha irmã no banco de trás . Éramos muito novos e eu não consigo me lembrar de detalhes. O que eu não esqueço é uma cena mais ou menos assim: eu olho para trás pelo vidro traseiro e vejo algo muito rápido e colorido passando, muito perto do carro. Claro, nesse momento não passava uma agulha pelo meu reto e eu chamei minha irmã para falar sobre o acontecido. Então, a coisa passa de novo e nós dois ficamos chocados com o acontecido . Relatar isso, por mais idiota que seja a história de “algo colorido e rápido passando pela janela”, peloamordedeus, eu lá meus 7 anos de idade.

Sinais, por exemplo, foi um filme que eu me arrependo de todas as formas possíveis de ter assistido. As aparições dos ets durante o filme todo (uma perna, corpo inteiro ou o mais macabro, o reflexo do ET na televisão, no final do filme) faziam jorrar dos meus olhos uma torrente incessável de lágrimas, mas não havia nenhum gemidinho de choro. Era como quando ocorre alguma reação alérgica, que os olhos lacrimejam para tentar eliminar o agente estranho que está onde não deveria.

Porém, mesmo com esse trauminha todo com seres pequenos e cabeçudos com naves coloridas, não vejo problema algum e falar sobre o assunto. Mesmo com a sensação que eu acabo de batizar de Síndrome de IOSATCCAE – Inundação Ocular Seguido de Arrepio por Todo o Corpo Causado por Assuntos Extraterrenos – eu continuo falando normalmente e na maioria das vezes, contanto esse causo do carro. O que me intriga é que não é medo. É algum tipo estranho de fascinação, que torna difícil falar sobre sem se emocionar.

Porque raios eu fui baixar aquela belezura de jogo, hein?

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Autor: Raphs

Três palavras definem bem o autor: velho mau humorado. Fisicamente, três anos a menos. Mentalmente, sessenta anos a mais.

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