Sobre Pokémons, insanidade auricular e as cabeças de pedra na Ilha de Páscoa

Preste muita atenção no que eu vou dizer, porque vou falar do meu maior defeito.

O mundo é um lugar injusto, francamente. Existem pessoas que infelizmente sofrem com algum tipo de moléstia física, algo que as impede de realizar operações simples do cotidiano como andar, falar, adestrar focas e trocar lâmpadas. Outros foram incapacitados logo no ato da concepção, tomando como exemplo aquele infeliz que foi “concebido” numa rapidinha dos primos atrás da piscina na área do tio Juca.

E existem os que não escutam nada com um capacete na cabeça.


Representação de uma pessoa de capacete

Estar com o protetor universal de todos os ossos do corpo encaixado em sua cabeça nunca foi algo confortável. Além de feio, cozinha seus cabelos a vapor e não deixa você dar aquela coçadinha na nuca ou sequer balançar os mullets à lá Fábio Jr, tornando impossíveis certos movimentos prazerosos que todo ser humano normal obrigatoriamente deveria se dedicar todos os dias.

A coçadinha é, sinceramente, fatal. Só quem teve sabe o que é passar 50 minutos com aquela vontade de enfiar a cabeça no meio de um coqueiro só pra poder rachar o protetor cabeçal (finalmente achei uma utilidade pra essa palavra) e arrumar uma desculpa pra poder acabar com tamanho sofrimento. Não se pode retirar o capacete no meio do trânsito, em qualquer lugar: o risco de um caminhão lotado de bovinos ruminantes que pisoteam o próprio cocô passar em cima de você é relativamente maior com você estando parado.

Não que os bois tenham culpa, eles só fazem o trabalho deles: cagar e ruminar. O problema está em você parado no semáforo coçando a cabeça.

Porém, a pior desgraça que pode acometer uma pessoa, no meu ponto de vista, é a total insanidade auricular que cai sobre mim no exato momento que o capacete encaixa perfeitamente no meu crânio. Se meus tímpanos geralmente funcionam como dois bumbos, neste momento eles começam a funcionar como dois bateristas de metal melódico norueguês de seis braços cada um, tocando uma bateria de 30 peças ao mesmo tempo de cima de um trio elétrico bahiano cada um – e meu cérebro no meio dos dois.

A sensação é a mesma de ouvir apenas um estalinho abafado quando nada menor ou menos violento que uma bomba de hidrogênio ou um meteorito caindo ao meu lado é frustrante. A comunicação então se torna impossível.

Ao prosear sem capacete com meu instrutor sobre assuntos corriqueiros, tudo descorre normalmente como duas pessoas alfabetizadas e com um vocabulário decente conversam todos os dias. A partir do momento que coloco o capacete, a comunicação é cortada – ou, ao menos, resumida a gritos e gestos.

Enquanto ele diz “você trouxe a identidade”, eu apenas ouço “aammmffmfmf fmfmamamfmaf afmfmf”, ou seja, para meu cérebro, o capacete é um aparelho de regressão educacional. Tudo que eu aprendi nestes 14 anos de alfabetizado, o capacete inibe da parte racional do meu cérebro, transformando todo tipo de informação que entra em letras A, M e F.

E acabo de descobrir que só existe uma maneira de terminar este post.

KOFFING, CORTINA DE FUMAÇA AGORA

Autor: Raphs

Três palavras definem bem o autor: velho mau humorado. Fisicamente, três anos a menos. Mentalmente, sessenta anos a mais.

12 comentários em “Sobre Pokémons, insanidade auricular e as cabeças de pedra na Ilha de Páscoa”

  1. Na verdadeo capacete é um item para trabalhar o seu ego, o seu “eu”. Note que quando você fala dentro dele, só você escuta. É a única conclusão que eu cheguei, embora eu tenha acabado de acordar e a criatividade não esteja ainda aflorada. Se bem que esse lance de “aflorada” é meio gay, né? Blé!

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  2. Hilário, simplesmente hilário. diga lá uma coisa: o quê você tem contra caminhões carregados de bovinos te coletarem… acredite, é uma experiência muito gratificante heheheh
    sorte e saúde pra todos – inclusive pros bovinos!

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