OJ Resenha: Iron Man – the Game

Antes de aceitar uma aposta ou desafio, pare tudo que estiver fazendo e analise as conseqüências de tal ato. Algumas pessoas, uma vez desafiadas, são capazes de qualquer moléstia para cumprir seu objetivo. Por exemplo, se alguém me desafia a fazer algo que sei que tenho competência e capacidade de cumprir, eu fico puto, cara. Mesmo se for algo pequeno do tipo “duvido que você engula essa batata inteira”, se eu considerar que as chances de morte são pequenas e o desafio está ao meu alcance, considere-o aceito. Não foi diferente dessa vez.

Usando este fato como incentivo, adquiri minha cópia de Iron Man – The Game e, além de sodomizar meu velho amigo blogueiro, pensei: “bom, o jogo é uma merda, mas não é justo jogar uma vez e guardar este disco em um lugar obscuro junto de jogos como True Crime, Devil Kings e Godhand. Resolvi encarar mais este sacrifício em nome da Ordem dos Resenhistas, adquirindo experiência e lutando para um dia subir de level.


Não se iluda.

Iron Man – the Game bota o jogador na pele de Tony Stark, um brilhante fabricante de armas que é seqüestrado por terroristas. Gravemente ferido, Tony recebe um eletroímã no peito que evita que destroços atinjam seu coração e cause uma morte um bocado dolorida. Embora o filme seja o pano de fundo para o jogo, vamos tentar nos concentrar apenas na parte que você pode controlar – ou tenta.

Ok, se você viu o filme, confessa que deu uma vontadezinha de entrar naquela armadura vermelho-dourado-delícia e dar umas viajadas por aí. Ter o controle de uma armadura como a de Stark é sonho de 8 em cada 10 nerds fissurados em quadrinhos na atualidade e esse é praticamente o objetivo do jogo: você brincar de Iron Man. Esqueça os objetivos, as metas, os bônus, tudo besteira. Os caras simplesmente fizeram o jogo por dois motivos:

1) Ganhar dinheiro na carona do filme.

Todo videogame baseado em filmes é destinado a ser um lixo horroroso. Nenhum jogo – eu disse NENHUM e esta verdade é irrefutável – lançado juntamente com o filme têm o mesmo destino: prateleiras empoeiradas e coleções de nerds fissurados pelo personagem. As únicas pessoas que gostam desses jogos são as mesmas que enchem o quarto com figuras, revistas, quadrinhos, cobertores, bonecos e roupas de baixo.

2) Fazer nerds bobinhos comprarem o game na esperança de obter alguma satisfação sexual ou alguma fração da adrenalina causada pelas excelentes cenas de ação do filme.

Vamos admitir: Iron Man é um filme do caralho. Eu mesmo assisti duas vezes, sendo que uma fui impiedosamente obrigado ou teria que encerar o carro. Convenhamos ver um filme bom pela segunda vez no conforto da poltrona de cinema é consideravelmente mais agradável do que encerar um carro inteiro sozinho num local onde, à sombra, o termômetro marca pouco menos do que a temperatura de ebulição da água. Local este mais conhecido como MINHA GARAGEM.

O jogo pelo menos segue um pouco a história do filme, pelo menos até onde eu suportei jogar. Você começa numa caverna, com a armadura “sucatão”, armado de um poderoso lança-chamas com munição infinita e INVENCIBILIDADE TOTAL. Até onde eu saiba, jogos decentes são projetados para prender a atenção do jogador com situações interessantes logo no início, pra fazê-lo se interessar pelo restante do jogo, mesmo se este se revelar uma merda depois de umas cinquenta horas jogadas. Iron Man faz diferente: começa deprimente, continua deprimente e provavelmente vai ficar pouco menos deprimente no final. Não me surpreenderia ao ver notícias nos jornais locais informando jovens se suicidando após terminar o game.

“Tudo bem, a primeira fase pode ser só um esquenta.”

Este pensamento era o único que habitava minha mente enquanto eu simplesmente andava pela IMENSA primeira fase. Não basta você ser invencível e ter munição infinita. Os inimigos oferecem tanta resistência quanto uma suave brisa de primavera carregada de pétalas de margarida no topo de uma colina, com o agravante de morrerem com apenas uma baforada do seu canhão de chamas do inferno.

Objetivos? Quase nenhum. Os poucos disponíveis são bem simples: siga a bolinha azul e tudo estará bem. Ignore os inimigos, eles não causam dano algum. Alguns espertinhos usam LANÇA-MÍSSEIS contra você, mas todo mundo sabe que o impacto de mísseis de meia tonelada cada não são nada contra uma armadura feita dentro de uma caverna com restos de sucata.

Chegando ao final da primeira fase, você finalmente pensa “estou ansioso pra chegar o próximo mapa, isto aqui está me enchendo o saco”. O último portão, o último objetivo e nada menos população inteira do Oriente Médio surgindo ABSOLUTAMENTE DO NADA com metralhadoras em mão e começam a atirar em você. Alguns caras com lança-mísseis também aparecem, juntamente com máquinas teleguiadas que disparam freneticamente, sem parar um segundo sequer para recarga de munição.

Ok, eles não são um problema para um deus imortal, certo? Errado. Bem no meio da confusão, você porrando os malucos freneticamente e tomando chumbo no peito, um aviso enorme e vermelho aparece no topo da tela.

ARMOR SYSTEMS OFFLINE

O seguinte pensamento toma o lugar do antigo neste momento:

MAS QUE PORRA É ESSA? Tô tomando tiro faz meia hora, levando míssil no peito e O CARA NÃO FALOU UM “AI”. Do nada a porra da armadura vem e, sem aviso algum, fala que eu vou MORRER?! O que tem naquelas caixas? CRIPTONITA?!

Alguns dizem que esse sistema de vida é “inteligente”. O sistema pode ser inteligente, mas os caras que pensaram nisso são bem burros. Em alguns jogos que usam essa tecnologia, como Call of Duty, quando o personagem é atingido ele esboça algum tipo de reação, seja gemido de dor ou a tela piscando ou a vista embaçada. Isto sim é sistema inteligente, não um sinal vermelho instantâneo aparecendo na tela segundos antes da morte iminente. Nada que alguns segundos parado e protegido não resolva, aliás todos os males do mundo são curados desta mesma forma, certo?

Ok, segunda fase, vamos voar. O treinamento de vôo é bem simples, rápido e… broxante. Tudo bem, os caras conseguiram colocar algum senso de velocidade no vôo, o que eu mesmo achava difícil. Temos então quatro velocidades: o vôo, a corridinha, o vôo rápido e o supersônico. Nos dois primeiros nada difícil nem nenhuma novidade, são praticamente intuitivos e tudo mais, embora o boneco aparentasse ter algumas toneladas. Já nos dois últimos, o negócio fica abusado.

Certo que em muitos jogos, situações e comandos extremamente complicados vão se assimilando com o tempo – algo como a quinta nota no Guitar Hero, que fazia grande parte dos jogadores desligar o console no meio da música. Eu duvido que alguém consiga assimilar a jogabilidade dos modos de vôo avançados de Iron Man. Dizem que ele foi feito para os sensores de movimento dos consoles nextgen (no caso do six axis do PS3 e do Wii mote), o que não duvido. Após o treino, a segunda missão: derrotar uma leva imensa de criminosos que não aparecem no filme.

Corra, aponte e atire. Não precisa fazer nada além disso. É o primeiro jogo que conheço que utiliza apenas quatro botões do controle, você voa ou atira, nada além disso. Provavelmente mais tarde os outros botões seriam utilizados para funções secundárias, mas não estou disposto a pagar pra ver. Os bandidos não se movem, ficam parados na mesma posição e você simplesmente move o cursor até eles e atira apenas uma pequena rajada de seu raio repulsor. Não é necessário dizer que todos eles morrem com apenas um tiro, e que novamente você parece ser invencível.

Então aparece na tela o desafio derradeiro: um helicóptero. Você finalmente descobre que pode utilizar todas as habilidades aprendidas até agora e começa a voar todo feliz ao redor do inimigo. Então percebe da pior maneira possível que você, voando, é tão frágil quanto uma galinha. Atirar se torna a manobra mais complicada do Universo, a velocidade supersônica não serve pra absolutamente nada, você não tem nenhum tipo de proteção quanto às rajadas intensas de fogo inimigo. Também não é necessário dizer que, ABSOLUTAMENTE DO NADA, surge uma barra DE VIDA no canto esquerdo da tela.

“Essa é nova, agora além de a armadura avisar que vai falhar, eu morro de verdade”.

Essa nova barra de vida é significativamente realista. Ao tomar um tiro, perde metade do life. Minha recomendação é se esconder rapidamente e esperar o maldito aparecer por cima das construções, para então acertá-lo bilhões de vezes com seus raios repulsores infinitos. No fim, a covardia vence.

Considerações finais

Se a armadura é capaz de te conceder poderes fantásticos e proporciona proteção, durante o jogo você percebe que o que acontece é totalmente o contrário. Pra falar a verdade, todos os fatores contribuem para sensação de impotência que, misturada com o DESPRAZER de jogar algo TÃO RUIM, fazem de Iron Man uma experiência recomendada apenas para os fissurados em tortura psicológica.

E inaugurando o novo graficuzinho de notas:

E pra quem tava esperando, o vídeo do Luke:

Autor: Raphs

Três palavras definem bem o autor: velho mau humorado. Fisicamente, três anos a menos. Mentalmente, sessenta anos a mais.

17 comentários em “OJ Resenha: Iron Man – the Game”

  1. btw achei muito foda o grafico da resenha, parabéns, nisso vc sempre manda muito bem
    só podia tirar essa “borda” preta, deixa só a parte em vinho e obviamente o que está dentro dela, acho que fica melhor

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  2. O jogo é bem fraco mesmo, pelo menos pro PSP. Me decepcionei também com a armadura, queria saber se eles tinham feito algo pra deixar o jogo “um pouco mais difícil”, mas deixaram idiota. Jogo bem fraco.

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  3. Vamos admitir: Iron Man é um filme do caralho.

    Discordo.
    Eu esperava muito mais dele. O que vi foi quase uma cópia de Spider-Man 1.

    Acompanhe meu raciocínio. Trata-se da história de um cara normal que se vê com poderes e tem que aprender a usá-los, tendo nisso, várias cenas engraçadas. E isso é o que importa no enredo.
    Pra luta final, o momento mais esperado, vemos dois personagens:
    O mocinho, que é um fudido e vai pedalar legal. E o vilão, que é “O Foda”, “O Malvado” e “O Impiedoso”. Mas tem aquele velho cliché de super-heróis. Quando a luta está pra se decidir, ele dá AQUELA cagada e vence! Agora tente adivinhar de qual filme estou falando.

    Mas eu nem esperava diferente. É sempre assim, como já falei. Mas eu queria que pelo menos usassem de mais criatividade como fizeram em – vou usar um exemplo bem próximo – Spider-Man 2.

    Gosto de pensar que esses dois filmes, Iron-Man e Spider-Man 1, são apenas uma apresentação do herói e que o próximo filme será supimpa!!

    Mas não pensem que eu não gostei… eu gostei! Só estou sendo crítico.
    Gostei da adaptação da história, dos efeitos, de como terminou, de ter ouvido Iron Man (Remix) quando terminou e de ver que tinha ceninha depois dos créditos. Mas é um filme que eu só recomendo pra nerds.

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  4. Gostei do Filme, a personalidade do Stark e muito diferente do padrão dos heróis. E a ultima cena e FODA.

    Mas o jogo e uma merda mesmo.
    E o kel e viado mesmo.

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