Sobre Mad Max, lavadoras de calçadas e as cabeças de pedra na ilha de Páscoa

Se você é daqueles caras oldschool que ainda moram em cavernas, têm como principal diversão triturar raízes e sangue de animais pra decorar a casa, arrastam as mulheres pelos cabelos e comem carne de dinossauro, de duas, uma: ou você não é um cara moderno ou você é o Piteco.


Lembra do Piteco?

Agora dê um tempo na invenção da roda, coloque esta machadinha de lado porque agora vamos falar do pior tipo de pessoa que a raça humana conseguiu produzir em quase dez mil anos de evolução – isso desde a invenção da escrita. Embora os cientistas se empenhem trinta  e duas horas por dia, seis dias por semana (até Deus teve folga), jamais foram encontrados registros na pré-história de pessoas que lavam calçadas.

Em sua grande maioria, este grupo funciona de forma parecida com uma seita extremista de fanáticos, formado quase que exclusivamente por mulheres acima da meia-idade. Como xiitas, elas defendem suas calçadas como se fossem complementos de sua própria alma. O ponto máximo, o ato de reverência maior à qualquer que seja a divindade que eles louvem, é a ação de lavar as calçadas utilizando mangueiras, vassouras e muito detergente.

Lembrando que, assim como uma leoa que amamenta os filhotes recém-nascidos, qualquer tentativa de interromper ou invadir o espaço sagrado durante a celebração do ato será combatida a todo custo – às vezes com mordidas na jugular seguidas de atos de canibalismo. Na maioria dos casos, a mangueira será apontada na sua direção e você vai chegar molhado e com frio no trabalho.

Convenhamos: as calçadas, também conhecidas como meio-fio, não é um lugar lá muito limpo. Lavar aquilo é como tentar limpar um toco de carvão, daqueles de churrasco. É um lugar onde todo mundo passa em cima. Não importa, eu tenho todo direito de enfiar o pé na lama e sair andando pela cidade. Simplesmente não dá pra entender o que uma pessoa que lava sua calçada a cada dois dias tem na cabeça.

Na quarta-feira passada, aconteceu comigo. Vindo para o trabalho pela manhã, uma moça que aparentava seus vinte e cinco, trinta anos, provavelmente empregada doméstica da casa em questão, estava como de costume lavando sua calçada, já nos momentos finais da celebração – a hora em que passa-se o rodo, “enxugando” a calçada. Eu estava a uns cinquenta metros do local e vi que a passagem estava obstruída.

As ruas do centro da cidade são completamente atoladas de carros em todos os locais, sejam eles estacionáveis ou não estacionáveis. Eu tinha duas opções: ou passava pela calçada recém lavada ou me aventurava pelo meio da via pública, correndo o risco de ser atropelado por um carro em alta velocidade que destruiria meu corpo lindo e espalharia meus órgãos por todo um raio de cinqüenta metros do local.

Como bom ser humano crente no Nosso Senhor Jesus que teme pela vida, me arrisquei a passar pela calçada.

– MULEQUE NÃO TÁ VENDO QUE ACABEI DE LAVÁ NÃO
– Tá mas… isso aqui é uma calçada e tal. Foi feita pra isso. Cê não queria que eu atravessasse a rua só pra não pisar na SUA calçada, queria?
– NUM INTERESSA MULEQUE EU CABEI DE LAVÁ A CALÇADA CÊ VEM E PISA??
– Cara, amanhã isso aqui vai estar sujo de novo!
– E NUM É VOCE QUE VAI LAVÁ, SOU EU
– Claro, eu não moro aqui LoLOLol OLOLol OLLOloL
– MAS OCÊ NAO VIU QUE EU CABEI DE LAVA A CALÇADA

Ela começou a me deixar nervoso.

– Cara, eu sei que você lava isso vinte e três vezes por semana. Eu passo por aqui todo dia. Agora, se você começar a reclamar com todo mundo que passar pela sua calçada reclamando que elas estão SUJANDO O CHÃO DA FRENTE DA SUA CASA, você vai precisar de férias logo, logo.
– MAS SOU EU QUE LAVO EU CABEI DE LAVÁ E OCÊ TÁ PISANDO VOU TER QUE LAVAR DE NOVO

Ela continuava repetindo a mesma coisa, como se estivesse no automático. A conversa se prolongou por mais alguns segundos, terminada então com um “Eu não tenho que escutar isso. Boa sorte lavando a calçada de novo, amanhã e depois”. Talvez só por sacanagem, ela começou a lavar a calçada de novo.

Pelo imenso conhecimento que me é peculiar nas áreas de engenharia, arquitetura, direitos humanos e biologia, as calçadas são via pública, de posse da Prefeitura de sua cidade. A calçada da sua casa pertence tanto a mim quanto a você. Claro que o bom senso entra na história, eu não vou sujar sua calçada com oitocentos gramas de fezes todos os dias porque eu sou um cara legal. Caras legais não fazem isso.

Pra começar, aqui no Brasil, é uma zona. Cada casa tem uma calçada diferente. Quando se tem uma casa mais cara ladeando uma casa mais simples, só a calçada da mais cara paga a casa ao lado. Parece uma tradição do interior de São Paulo do dia de Corpus Christi, onde os fiéis decoram as ruas com desenhos feitos de serragem e vidro moído. Um carnaval só. Na gringa, aqueles bairros inteiros com as frentes das casas com grama aparada, só uma calçada cobrindo todo o quarteirão.

Tudo bem, se nossas casas fossem como as deles, teríamos que comprar mensalmente três geladeiras, onze televisores e os videogames teriam que ser pregados no chão.

Outra coisa engraçada é que estas fanáticas são completamente indiferentes ao problema da água. Porra, segundo o grande líder comunitário Mad Max, daqui 50 anos a gente vai estar lutando pendurados em gaiolas de metal, abastecidos por cocô de porco pra ter um gole d’água e nego LAVA A PORRA DA CALÇADA QUASE TODO DIA? Dá vontade de enforcar aquelas velhas malditas com a mangueira, depois pendurar num coqueiro bem alto e dar as vassouras pra crianças ficarem batendo até que os cabos delas tomem a forma de palitos de dente, pra então serem usados como lanças.


Esse cara me faz repensar meus conceitos sobre MACHO.

O mais legal é quando elas usam as mangueiras livres daquela ponta que produz um jato que provavelmente tem um nome mas eu não sei então vou chamar de JACARÉ, que ajuda na economia. Enquanto conversam com as vizinhas fofoqueiras, elas ficam segurando a porra da mangueira aberta, desperdiçando BILHÕES (!!!) de litros todos os dias. Não sei exatamente o motivo, cara. Isso ferve meu sangue.

Talvez eu seja Mad Max.

Autor: Raphs

Três palavras definem bem o autor: velho mau humorado. Fisicamente, três anos a menos. Mentalmente, sessenta anos a mais.

31 comentários em “Sobre Mad Max, lavadoras de calçadas e as cabeças de pedra na ilha de Páscoa”

  1. Sem contar que é um puta desperdício de água. Po, só passar uma vassoura pra jogar as folhas secas pro bacabau fica beleza, mas gastar rios, açudes, oceanos de água pra lavar uma calçada que todo mundo cospe, enfia o pé que usou pra matar baratas, tal…

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  2. cara, rachei com o post
    Vizinhas estranhas e neuróticas por limpeza eram comuns onde eu morava (agora moro em prédio, não se lava mais a calçada, heeey!)
    é odioso elas fofocarem por hooooras a fio com as mangueiras abertas –”
    lavadeira de calçada que fofoca é a pior raça!!

    gostei do blog
    ;*

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  3. théo é retardado – o cara que mata com uma cenoura ou o cara que em um filme persegue bandidos e no outro invade uma cidade no deserto acompanhado por crianças?

    Fala sério

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  4. @Kel e Ingloryon
    Ahn, então, eu falava do Raphs, pelo fato do Smith se irritar com coisas mais simples, e não comparava os filmes. Eu posso fazer um desenho com legendas para vocês entenderem melhor, ou pedir pra Laura que é mais designer que eu. ;]

    Agora, considerar mais foda é exclusividade do meu gosto, acho que cês não podem discordar de algo pessoal. Um cara que em um filme persegue bandidos e no outro invade uma cidade no deserto acompanhado por crianças ou a Monica Bellucci?

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  5. @Théo

    Ah… sinceramente nada contra teu comentário não.
    Foi só que eu ainda estou impressionado com umas coisas que li no teu blog, ai quis aproveitar a deixa

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  6. Deveria haver pena de morte para essas tias!! Não sei aí onde vc vive, mas aqui no rio muitas calçadas são daquelas malditas pedras portuguesas… ou seja, viram uma pista de gelo quando são lavadas com sabão, o que quer dizer que pra passar, a pessoa tem que fazer um imenso esforço pra não cair!! E quem paga meu gesso se eu quebrar o braço?? O SUS, claro.
    Isso, sem dúvida, está no Top 5 de coisas que eu odeio – muito. Aliás, acho que a única coisa que eu odeio mais que isso, no que diz respeito à sociedade, são os coletivos. Ônibus, metrô…qualquer lugar onde existam mais de 5 pessoas amontoadas, com pressa e com odores absurdamente enauseantes.

    Sério…eu super compraria um livro escrito por você, cara! Ou pelo menos esperaria ansiosamente alguma boa alma o disponibilizá- lo para download em um site de e- books! =D

    Fica a dica!

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  7. @Ingloryon
    Sim, eu vi seu comentário E respondi. Posso falar por aqui: nosso site muitas vezes é confundido com o site da folha ou com o omelete, manja? Sempre alguém acha que vai ler uma resenha positiva sobre algum filme cultuado e tal, mas as pessoas já começam errando na URL.

    @Raphs
    TAAAAAAAAAAAANGA! Porra, no primeiro filme ele DEIXA a mulher e o filho morrerem, praticamente. O Smith precisa de uma CENOURA pra matar bandidos. VÁRIOS bandidos.

    Se foder.

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  8. o nome do jacaré (kkkkk) é ESGUICHO. heaiuhuie

    e o duro eh q quando vc vai tentar conscientizar as pessoas sobre o desperdício d’água, elas já têm resposta na ponta da língua: EU PAGO A ÁGUA TODO MÊS E USO O QUANTO EU QUISER, SEU FILHO DA PUTA.

    Mais ou menos isso.

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  9. Que você falava do Raphs eu entendi, eu só comentei a parte onde vc disse que o Smith era mais foda que o Max. Claro que você tem todo direito de achar o Smith mais legal que o Max, assim como eu tenho todo direito de achar sua opinião um cocô.

    Smith não aguenta 5 minutos de porrada com o Max dentro do thunderdome.

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  10. Puts minha vó tem essa paranoia, e meu vizinho sempre faz o cachorro caga na porta dela, raxo de rir, ela já chamo policia por causa da cagada do cãozinho.

    @Téo,Incloro (ou algo do genero) , Kel, e quem mais ler…
    Eu acho que o MadMax e o Smith eram tangas/viadinhos…
    Macho memo é o Neo que incara os dois sem mudar a fisionomia (special abilities from Keanu Rieves) o_o
    E opnião é opnião, voces tem que enfiar uma cenoura no c* e aceitar a opnião dos outros por mais bizonha que seja…

    Mas que vampiro NÃO É zumbi eu so obrigado a relembrar… uAHUihaiuHAIUHiua

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  11. olha só! eu tava comentando com um amigo sobre “pq diabos as pessoas lavam calçadas” essa semana….

    falando em desperdicio, da janela do trampo vi 2 kras lavando 1 carro….um tava ensaboando (ou seila) e o outro segurando a mangueira (ligada..e sem jacaré) pro outro lado….e fico nisso um tempão..poha…o minimo de bom senso faz bem x(

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  12. cara, vizinhas que lavam calçadas existem em todo lugar e aqui perto de casa não é diferente. dona neusa, ela se chama, e ver ela ameaçando quem pisa na calçada dela é uma das coisas que podem salvar um dia em acontecimentos bizarros.
    um dia, pretendo acordar cedo, lá pelas 3 da manhã e arranjar uns baldes de terra ou lama pra jogar ali, pra que ela realmente tenha o que lavar ali, naquele chão que reflete saias e… deixa quieto.
    té mais

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