Vida de Peão

Pare absolutamente tudo que estiver fazendo, desde os downloads da discografia do Latino até os torrents recheados de meninas de 14 anos em roupas íntimas, vamos falar resumidamente sobre uma coisa muito interessante e que poucos de vocês sabem.

Afinal, se existe algo que eu posso olhar no espelho e dizer “cara, você faz isso como ninguém” é resumir. Resumir é algo que eu faço de melhor, sempre tentando tornar o post mais dinâmico e expresso, neste mundo que hoje em dia valoriza mais o tempo ganho com pequenas ações do que o tempo perdido com coisas pequenas. Diria que resumir é uma tarefa tão importante quanto depilar as narinas. Se você tem um amigo (ou amiga, nunca se sabe) que não depila as narinas, sabe como isso pode se tornar um empecilho tão agradável quanto um segundo bigode.

E convenhamos, ninguém quer um segundo bigode.

Quando disse que resumia bem, estava mentindo. Se você visita este blog a mais de vinte minutos já percebeu que resumir é a única coisa que eu não faço. Na verdade, estou só tentando encher a lingüiça com bastante carne de segunda pra fazer uma revelação bombástica e inesperada, como dizer a vocês que BARRETÃO COMEÇOU GALERA!!!


Se liga na cara de diversão do boi. Amarra uma corda no seu pênis e sai pulando, então!

Na verdade a revelação não era essa. O que eu realmente queria dizer é estudei dois anos para conseguir ser um ótimo Técnico em Química, fazer coisas legais em laboratório como destilação, análise de álcool e drogas sintéticas e quando finalmente encontro uma oportunidade de emprego, me jogam na Fábrica.

Vamos agora definir conceitos:

Fábrica: lugar sujo onde os peões fazem o serviço geral como colar etiquetas, rolar barris de duzentos e trinta quilos e carregar caminhões com os mesmos. Também conhecido como “o lugar os acidentes de trabalho normalmente ocorrem”, a fábrica é onde a probabilidade de um tonel de ácido clorídrico cair sobre seu corpo é a mesma de uma pomba arremessar seus dejetos sobre seu sorvete.

Laboratório: lugar limpo e com ar condicionado, com bancos confortáveis e bancadas limpas propícias para o trabalho de um laboratório, cujo maior risco que se corre é inalar pequenas substâncias de amônia – substância cujo único efeito colateral é fazer você correr o mais rápido que pode antes que seus pulmões explodam e seu intestino saia pelas narinas.

Acredite, se você diz que aquele cheiro de Neutrox típico das seis da tarde é ruim, é porque você nunca cheirou amônia. Ah, poucas coisas na vida superam o doce e suave cheiro de amônia num domingo de manhã no parque.

Embora isso ainda não tenha acontecido no meu novo emprego, coisas não menos ruins já aconteceram. Como sou apenas estagiário, o mais seguro é que eu fique realmente longe da produção – faça somente o básico do básico entre as tarefas básicas: abrir portas, portões e colar etiquetas.

Se existe uma lei universal que DEVE ser respeitada, é que um estagiário JAMAIS pode executar uma tarefa complexa e/ou que comprometa todo o resto do processo. Imagine que você é um policial militar condecorado e velho de guerra, que recebeu de presente de aniversário um estagiário. Treinar um iniciante é uma tarefa tão prazerosa quanto arrancar seus próprios dentes com um garfo, esterilizando com Listerine. O estagiário PRECISA aprender as tarefas mais complicadas, mas como ensinar?

Imagine também que, sabe-se lá como, você é um policial condecorado velho de guerra que tem um estagiário e tal MAS PRECISA DESARMAR UMA BOMBA NUCLEAR. Ninguém a colocou lá, os suspeitos não são importantes, você não pode mandar seu estagiário atrás deles. Pra tornar a coisa mais interessante, você está num contêiner de metal no fundo de um rio, com vários buracos, e precisa tapá-los antes que toda a sala esteja habitada por peixes, corais e criaturas típicas do oceano como girafas.

Os dedos do estagiário não são rechonchudos o suficiente para tapar os buracos, então a única pessoa com condições mínimas para executar esta tarefa vital é você, policial condecorado velho de guerra e GORDO. Esqueci de falar, você é GORDO.

Creio que não preciso mais gastar meus poucos neurônios vivos para confeccionar o resto da história. O bom senso já nos diz que esta história vai dar MERDA e que todo mundo vai MORRER. Por causa de quem? Claro que por causa do estagiário.

Certa vez eu tive um sonho, bem estranho confesso. Estava eu sozinho, no meio de um país desconhecido, habitado por pessoas desconhecidas e que não falavam comigo – talvez as mães destas pessoas desconhecidas tivessem dito a elas que não deviam falar com desconhecidos. Depois fui descobrir que o desconhecido ali era EU, mas enfim.

No meio de vales profundos e bonitos, havia uma montanha. Dessa montanha, escorria um pequeno córrego de águas cristalinas e isso também não é importante, já que do lado do rio havia uma trilha até o topo. Chegando ao topo da montanha, havia um templo e um McDonald’s. Eu me dirigi ao templo, onde encontrei um velho profeta.

Entre suas longas barbas e voz que falhava, ouvi apenas grunhidos decadentes.

– amdnf andam,dhmmmfff humfendmf mff
– Fale com mais clareza, ó profeta. Tua palavra me é importante. – pedi encarecidamente.
– humfme fmadmf mfmadf, ansuhefnendo
– FALA DIREITO, Ô CARALHO

Então a sala ficou escura e apenas uma luz cobria a face do velho. O sonoplasta devia estar de folga, pois não ouvi nenhuma trilha obscura por trás daquelas palavras, que foram

– DIGA ONDE VOCÊ VAI, QUE VOU VARRENDO.

Desde então tentava descobrir o que as palavras do mestre significavam. Desde hieroglifos até símbolos desconhecidos deixados por seitas nazistas, desbravei os quatro cantos do mundo (que a princípio é redondo lololol) e nada. Não havia significado naquelas palavras. Até que, numa manhã ensolarada de segunda-feira, descobri que a vassoura seria minha companheira dali em diante.

O pátio da fábrica talvez só não tenha tanta poeira quanto o deserto do Saara. Varrer aquilo é tão trabalhoso que nem um exército de crianças chinesas alimentadas com um pão por semana (um banquete para os padrões) agüentaria por mais de vinte minutos. É tanta poeira, tanta terra, tanta coisa escondida entre galões de produtos que você sequer sabe o nome que, se você não tiver noções de engenharia espacial, física quântica e astronomia, começa a varrer a si mesmo.

Tirando o fato de que eu poderia contar nos dedos de uma mão só as vezes que tinha pego uma vassoura na vida, até que me saí bem. Três dias depois de começar, eu deixava o chão da fábrica tão limpo que seria fácil detectar um átomo pousando no pátio. Pra vinte segundos depois aparecer uma empilhadeira com seus pneus carregando toneladas de terra, emporcalhando tudo de novo. Senti na pele os chiliques que minha irmã dá quando eu passo sapateando pela cozinha enquanto ela limpa.

Fora a limpeza diária, eu não faço absolutamente nada. NADA. NADA.

Mas não tenho do que reclamar. Sou muito bem tratado entre os caras da fábrica, não tenho reclamações sobre NENHUM deles. O interessante é que a maioria deles tem apelidos. Aliás aqui vai um salve pra galera: Fabão, Dilon, Zetim, Baiano, Cicelo, Rosinaldo e Japa, e pra toda a galera de lá. Se um dia vocês lerem isso, CARALHO, vocês são foda.

Pra encerrar, quero pedir desculpas pela demora para postar. Eu sei que vocês entendem. Mentira, vocês não me entendem. NINGUÉM ME ENTENDE, VOU ME MATAR. Estou com dois empregos, chego num estado pouco acima da zumbilância todo dia em casa, então postar é a última coisa que eu penso.

E assim, dibobs, PROBLOGGER É A PUTA QUE TE PARIU. E aquilo ali, não é um dinossauro?

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Autor: Raphs

Três palavras definem bem o autor: velho mau humorado. Fisicamente, três anos a menos. Mentalmente, sessenta anos a mais.

22 comentários em “Vida de Peão”

  1. É meu caro, eu sou estagiário, ou era até largar a faculdade de ADM pra começar a de Fatec. Mas bem, eu já peguei bomba logo de cara, fui pro faturamento, e eles usavam aquelas maquinas antigonas de escrever, e eu nunca tinha mexido naquilo. E não é igual ao teclado porra nenhuma, não existe a tecla backspace, ou seja, vc errou, vc se fudeu. E sim, eu errei, acho que umas 100 notas em 4~5 meses.
    Agora estou como Gerente Jr. de TI, mas não existe um Gerente de TI na fabrica, logo eu sou um estagiário para Gerente de TI.

    Queria varrer o chão da fabrica apenas, já to com LER =/

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  2. Há!

    Foi só postar aqui que me ofereceram não apenas um estágio remunerado em período integral, como a possibilidade de ser contratado ao final do estágio!

    Ar condicionado Laboratório, aqui vamos nós!

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  3. hehhehe, é resumo não é o seu forte, mas curto as forma como escreve. dá a impressão, sei lá, de que vc fala assim mesmo, como escreve!

    gosto do seu blog!

    mas… Barretos, química…hehhehehhe um fluxo de consciencia, heim…?

    adoro quimica, apesar de ser uma futura biologa!

    beijão

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  4. @Ingloryon

    Que que foi, que que foi, que que hááá.

    @Guilherme

    OBRIGADO FOI MINHA MÃE QUEM FEZ

    @Kel

    Agora vou farmar honor por uns três meses depois farmar arena points e…

    @Glayce

    HASDHLAKSF Obrigado pela parte que me… toca heh

    Escrevo praticamente do jeito que falo, tanto que no meio dos posts sempre aparece “blablabla e tal”, “tipo,” e expressões assim. Tipo, eu sou PÉSSIMO pra contar história justamente por isso, fico dando tanto detalhe que só o detalhe já se torna um spin-off, pra voltar pro raciocínio original fica até complicado hasdlhkasf

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  5. pô, raphs.

    se pá, pior que varrer é terminar seu trabalho faltando 1h30 pra vc poder ir embora, entrar no blog do seu amigo e sequer poder dar gargalhadas barulhentas, senão desconfiarão que vc já cabou o serviço.

    chorei litrus silenciosamente (y)

    parti costelas aff

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  6. Probloggers me dão alergia. “Nasci”* como um nerd entediado que escrevia sobre videogames pra passar o tempo, “morrerei”* da mesma forma. Ser problogger me parece se levar a sério demais, e no dia que eu começar a levar o HBD a sério o negócio perde totalmente a razão de ser.

    *contexto blogueiro e coisital.

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