“Eu tava certo, o carro que entrou errado e…”

Cientistas do sul da Malásia gastaram toda a verba destinada à alimentação do país para financiar suas pesquisas e descobriram que a humanidade pode ser dividida em dois grupos de pessoas: as que andam de motocicleta por necessidade e as que andam de motocicleta para disseminar a desgraça na necessidade.

Vamos falar do segundo grupo. Mas vamos antes falar da minha namorada.

Como mostrado aqui mesmo 22 dias atrás, eu sou o mais novo motociclista da blogosfera a nível de AOEBlogs. Meu namoro com a Dafra Kansas ainda está no comecinho, e todo mundo que já teve uma namoradinha sabe como é o começo: as mil maravilhas, algumas briguinhas bestas e o ciúme comendo solto. As brigas, aliás, são freqüentes demais pro meu gosto.

A Dafra é uma marca nova que resolveu chegar fazendo barulho. Investindo pesado em publicidade, a marca assumidamente pretende abocanhar grande parte do mercado de motos populares. Aí você vem e fala: “Ah, mas Dafra então é marca de pobre?” e eu respondo: “VAI TOMA NO CU FDP”.

A Kansas é uma moto LINDA, isso é fato. O estilo custom é para pessoas que são apaixonadas por motos e querem fugir do comum. Geralmente a primeira moto de um adolescente mirrado e pobre é uma Honda Titan, de longe a mais vendida do Brasil. Mas o estilo street não me atrai nem um pouco, é comum demais e Titan, pra mim, é moto de assaltante de mercearia. É sério, essa porra é tão comum que se fôssemos fazer uma contagem no centro da minha cidade, teríamos dez Titans para cada moto de qualquer outro modelo.

Logo que a Dafra anunciou a Kansas, eu pensei: CARALHO, PRECISO TER ESSA MOTO. As circunstâncias me levaram a necessitar de uma locomoção própria, e comecei a jogar meus xavecos mais sujos pra cima daquela belezinha. Comprei, é minha e cada quarteirão é uma relação sexual.

Se fôssemos dissertar sobre o trânsito urbano de forma aprofundada e prática, teríamos que lançar a Grande Coleção Como se Comportar no Trânsito Urbano, acompanhada de um fascículo especial Como se Comportar no Trânsito Urbano: Motocicletas e um bônus para os cem primeiros que ligarem para o número que está aparecendo na sua tela neste momento: o DVD com quinze horas-aula Como se Comportar no Trânsito Urbano SOBRE uma Motocicleta.

A Bombaim Brasileira

Sertãozinho, uma simpática cidade no Interior do Estado de São Paulo, é considerada pelos economistas “a nova Califórnia brasileira”. É a capital nacional da Cana-de-açúcar, que caso você esteja ocupado demais para saber, é a matéria-prima do etanol brasileiro, aclamado mundo afora como futura solução para o problema do petróleo. Resumindo, Sertãozinho é uma cidade pequena que está crescendo pra caralho.

E não tem estrutura para tal. A cidade cresce pelas bordas, enquanto o centro dela encontra-se completamente saturado. O trânsito é pesado, mas não existem engarrafamentos.

Sertãozinho pode ser uma cidade pequena, mas tem um trânsito tão caótico quanto Bombaim. No lugar das largas ruas sem sinalização, temos ruas estreitas com carros estacionados nos dois lados, tornando a passagem central obrigatória e as ultrapassagens inexistentes. Os carros ao lado transformam o centro da rua num grande Corredor Polonês, onde você tem que desviar de TUDO e de TODOS pra não encher seu carro de porrada. A população de motocicletas cresce tanto que futuramente teremos mais motos que habitantes na cidade.

As motos são um câncer que assola o trânsito. É de concenso geral que qualquer acidente envolvendo motos envolve uma grande possibilidade de dar uma merda séria, inclusive de que os ossos do acidentado saltem para fora de sua pele numa forma plasticamente nada atrativa.

Que levante a mão quem gosta de andar de carro com um motoqueiro alucinado passando pela DIREITA, ainda mais quando você está dando seta para entrar À DIREITA. O jeito é parar, esperar o morfético passar e então fazer sua curva suave e delicadamente, DESVIANDO de outras motos que se encontra à sua esquerda. Como eu tenho sérios problemas de interpretação de texto e concordância, vamos ilustrar a situação de uma forma mais simples.

Você está numa nave espacial feita de titânio maciço e navega por uma região do espaço conhecida como Cinturão de Asteróides Feitos de Cristal Fino e Altamente Quebrável, que fica exatamente no centro da Galáxia.

Lembre-se que existe uma lei no Universo que diz que Se você estiver navegando pelo Cinturão de Asteróides Feitos de Cristal Fino e Altamente Quebrável e danificar UM asteróide sequer, este asteróide terá o direito de lhe processar na Grande Corte do Trânsito Espacial.

Então você, que por obra do destino é obrigado a atravessar esta região movimentadíssima do espaço, tem que trafegar com a atenção QUADRUPLICADA pois qualquer deslize pode te colocar numa merda SÉRIA.

Infelizmente meu tempo é curto e afeta um pouco a criatividade. Falaremos mais sobre o fascinante trânsito sertanezino em outros posts, enquanto isso deixo para apreciação a foto de um rinoceronte.

Autor: Raphs

Três palavras definem bem o autor: velho mau humorado. Fisicamente, três anos a menos. Mentalmente, sessenta anos a mais.

10 comentários em ““Eu tava certo, o carro que entrou errado e…””

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