Cigarra, o animal mais idiota do mundo

Sexta à noite, você chega do trabalho cansado, com os pés do tamanho de uma raquete de tênis e a cabeça explodindo. O que você precisa?

a) Balada;
b) Cerveja;
c) Amigos;
d) Balada com os amigos regada à muita cerveja;
e) Um post fresquinho sobre a vida das cigarras.

Caso você tenha respondido qualquer uma das alternativas senão a letra E, você é uma pessoa comum. Caso contrário, você anda lendo demais este blog.

Imagino que você esteja largadão aí, de pijama e meia, curtindo umas músicas meio broxantes no seu computador, e esteja imaginando “mas eu preciso saber da vida das cigarras?”. Eu te digo que sim, você precisa. Isso fará de você uma pessoa melhor e pesquisas realizadas pelo INPI demonstram claramente que essas informações serão

Pra começo de conversa: cigarras são legais. Você só precisa abrir sua mente.

Chega dezembro, época de férias. Verão, sol rachando, você se reúne com seus amiguinhos no fim da tarde pra uma cerveja – ou suco de goiaba fresquinho feito pela sua vovó. Todo mundo anima, ligam o som e aumentam o volume no máximo que a legislação urbana permite. A tarde vai caindo, o sol se põe e a alegria de vocês acaba.

– BRUEEEEEEEM HEIN HEENIEINENEEEEEEEEEEEEEEEIN UUUUUUUUUUUH INEINEINIENIENIE

É nessa hora do dia que começa o show das cigarras, animaizinhos do tamanho de uma azeitona preta gordinha que têm asas e cantam mais alto que um show de metal norueguês.

Quando Deus tava criando os insetos na sua versão SPORE® – Divine Version, que estará à venda em breve nas melhores lojas do ramo, ele pensou na sua tarde de folga:

– Pô, tarde chata, calor do caralho, Faustão na televisão. Tô de boa aqui jogando… terminei o trampo todo, acho que vou dar uma sacaneada.

Então ele criou as cigarras. Claro, mais um monte de bicho dos quais falaremos em breve aqui no ODEIO E JUSTIFICO ESPECIAL PLANETA TERRA. Brincadeira.

Caso você more em cidades onde a cor verde ainda não existe somente nas caixas de lápis de 36 cores – leia-se ‘lugar que ainda possui árvores ou qualquer restinho de ecossistema” – as cigarras são arroz de festa. Aparecem em todo lugar, o tempo todo. Aliás, não só elas. Assim como os humanos começam a tirar as roupas no verão, todos os insetos DO MUNDO INTEIRO começam a migrar para as cidades. Talvez em busca de oportunidades, à exemplo do êxodo nordeste-sudeste nos anos 80.

Aqui em Sertãozinho, por exemplo, enquanto esperamos que as centenas de cabeças de boi atravessem a única rua da cidade, reúnimos todos os trinta e quatro habitantes em torno de uma mesa de frente à prefeitura municipal – uma capela de quinze metros quadrados onde residem o Prefeito, o Xerife e o Coronel (vale dizer que todos são a mesma pessoa) – e esperamos que a cantoria das cigarras comece. Como os bois são burros, ficamos ali sentados por horas e horas. Toda a cultura local resume-se em cantarolar cantigas campestres seguindo o ritmo das cigarras, enquanto chupamos cana-de-açúcar.

Mas o que essas criaturas têm de especial? Pois eu te digo: tudo.

Antes de sair chutando o cadáver de uma cigarra morta, pense duas vezes. Aquela criatura tem idade pra ser sua mãe. Algumas espécies de cigarra passam DEZESSETE ANOS debaixo da terra, só se alimentando da seiva de plantas. Quando decidem que já é hora de sair da adolescência e virar gente grande, elas resolvem sair da terra TODAS AO MESMO TEMPO e subir na vida. Literalmente. Uma vez fora da terra, as cigarras sobem até o topo das árvores e começam a metamorfose, trocando de pele e adquirindo seu corpo adulto.

Quando já são mocinhas, as cigarras fêmea saem por aí fazendo doce e oferecendo seu corpinho para os machos. Aquele som absurdo característico das cigarras é realizado apenas pelos machos, que usam o canto pra atrair as fêmeas. O canto de uma cigarra pode alcançar facilmente os 120 decibéis, algo tão sutil quanto uma TURBINA DE AVIÃO. Algumas espécies cantam ainda mais alto, em frequências tão absurdas que o ouvido humano é incapaz de detectar. Cachorros, gatos e pássaros conseguem. Azar o deles.

Já as fêmeas produzem um som mais discreto, parecido com um estalar de dedos. Fato curioso. os machos são delicadamente menores em tamanho do que as fêmeas, portanto se você avistar um macho e estalar os dedos, vai atrair a atenção deles, como se tivessem hipnotizados. Eles literalmente pensarão que você é uma fêmea e começarão a seguir a direção dos estalos, até começarem a cantar. Se eles te jogarem um papo e te pagarem um drinque, vai ser comido por um macho e vai virar o Cell.

Outro fator curioso: as cigarras não escutam o próprio canto. Seus “ouvidos” são protegidos por uma fina película que as impede de ficarem surdas ao tentarem descolar uma bimbada.

Se você der sorte de conseguir capturar um exemplar desta moléstia de Deus contra a humanidade, vai perceber que não oferece resistência alguma. São insetos pacíficos que só vêm ao mundo pra três coisas: cantar, foder e morrer.

Ok, o macho canta, a fêmea abre as pernas e pronto. Os dois trepam, mas ao atingir o climax o macho MORRE. Não somente morre, o macho EXPLODE. É comum ver os ‘restos’ do macho por aí, sem o abdômen. A fêmea ainda vive, deposita os ovos e MORRE também. Que beleza.

O que tudo isso tem de interessante? As cigarras são os equivalentes artrópodes dos humans no reino animal. Vamos usar a vida das cigarras pra contar a história de Marquinhos, o menino cigarra.

Marquinhos nunca gostou muito de sair de casa. Até os 17 anos, praticamente não saiu de casa e só queria saber de comer. Marquinhos um dia ficou obeso e decidiu que era hora de tomar vergonha na cara: saiu de casa e começou a fazer exercícios físicos. Um dia, enquanto praticava escalada, encontrou um folheto da faculdade.

Marquinhos gostava muito de música, então fez a matrícula e começou o curso de canto lírico. Um dia, nas aulas de canto, um empresário viu que Marquinhos atingia notas altíssimas e convidou-o para gravar um CD com uma banda de metal.

Então Marquinhos começou a ensaiar com a banda. Um dia, num festival com diversas outras bandas de metal, Marquinhos estava lá cantando e uma fã aproximou-se do palco. Os dois trocaram olhares e Marquinhos disse “passa lá no meu camarim depois do show”. A fã lá apareceu e os dois se pegaram.

Durante o ato sexual, Marquinhos grita:
– AH EU VOU GOZAR

Autor: Raphs

Três palavras definem bem o autor: velho mau humorado. Fisicamente, três anos a menos. Mentalmente, sessenta anos a mais.

29 comentários em “Cigarra, o animal mais idiota do mundo”

  1. Eu moro na região menos verde de SP, abençoada unicamente pelo fato de não sermos perturbados pelo som irritante desse bichinho tarado. Em compensação, temos baratas aos milhares.

    É correto dizer então que, literalmente, Marquinhos se fudeu?

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  2. Adorei esse blog. Já morei no interior de GO e cigarra lá tem aos montes, quando era criança adorava pegar cigarra e colocar nos cabelos das meninas, sempre andei muito com moleques:-) Descobri coisas interessantes sobre esse bicho.
    Outra coisa que adoro é o Spore e detalhe que os bichinhos cantam pra atrair o parceiro, já vicei no jogo.
    Aparecerei por aqui mais vezes.
    Beijos cantantes

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  3. “Já morei no interior de GO e cigarra lá tem aos montes”

    Desculpa, moro na capital e GO e verde aqui é o que não falta. DUVIDO você me apontar UM quarteirão que não tenha árvore. O melhor é que moro no subúrbio e esses bichos são praguinhas.

    Certavez brotou uma cigarra no quarto do meu irmão. PENSA UM SOM DO IFNERNO CARA, é uma cigarra no cômodo do lado. D:

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  4. quem vê pensa que a gente mora numa fazenda né raphs?
    -.-
    NÓS MORAMOS NA ZONA RURAL DE RIBEIRÃO PRETO E NÃO NA FAZENDA!
    tenha dó né? :s

    “Pelo menos a cigarra não morre virgem.” haha euri³

    e sábado cansado o seu né?
    não foi você que se arrumou toodo pra ir num lugar, ficau surdo e acabou vendo toodo mundo atrás de alguém e você sozinho na multidão 😉 E ainda perdeu três dedos de cada pé por causa da sandália de salto alto :]

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  5. Cara, moro em Brasília, mais precisamente na Asa Norte. Meu “bloco’ (prédio) fica em meio a dezenas de árvores daquelas enormes e as cigarras cercam o prédio e, à noite, quando as luzes se acendem, elas entram pelas enormes janelas abertas e assustam os moradores. Por isso não abro mais janelas à noite. Tenho medo.

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  6. Cigarras podem ser divertidas. Pegue uma já com asas e amarre uma linha (dessas de costuras um pouco mais fortes) no “pescoço” do bicho. Solte-a (mas segure a linha).

    Pronto! Você agora tem uma linda pipa viva! Ou, se preferir, um personal helicopter de brinquedo! Ela fica voando e voando em círculos. Super legal.

    Eventualmente a cabeça dela cairá (em uns 5 ou 10 minutos). É só repetir o processo.

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  7. Cara, “os cigarras” explodem.
    E “as louva-a-deus” comem a cabeça (não a que tá embaixo) do macho na hora da reprodução.

    Vida legal as dos insetos rly.

    @Vídeos, Jogos & Blogs | Asttro!

    O comentário mais construtivo do século é o seu, troféu joinha pro cê (y)

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  8. Nossa, cheguei a este blog logo após acordar pelo canto desse bicho filho de uma puta, em plenos 37° às 6h da tarde!
    Entrei no pc, fui pro google e digitei: – Odeio cigarra, e então esse blog apareceuuuu! Por incrível que pareça, quando terminei de ler o post, a cigarra parou de cantar asouaehuoahaohaes

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