Sobre argumentos, dinossauros e as cabeças de pedra na ilha de Páscoa

Pesquisadores da filial norueguesa de Harvard, liderados pelo talentoso cientista Paul Aden Trö, passaram os últimos quatro anos estudando o comportamento da população comum na Internet. O experimento foi feito estudando um grupo de 100 pessoas, em sua maioria do sexo masculino, onde as “cobaias” não precisariam ocupar seus dias trabalhando ou estudando, apenas utilizando o meio de comunicação social mais utilizado do mundo, a Internet.

Como se a vida real não fosse um meio de comunicação social.

Depois de apenas dois meses passados, notava-se que 80% das pessoas passaram a frequentar listas de discussão e debates, como fóruns e comunidades no orkut. Em seis meses, o percentual saltou para 98,6% – se eram 100, como seria 0,6% de uma pessoa? – e não demorou muito para o número chegar aos derradeiros 100%. Entre os homens, o assunto mais discutido, óbviamente, era Futebol e mulheres. Entre as mulheres, homens e moda.

Notou-se que em todas – absolutamente todas – as discussões, havia um certo padrão de comportamento. Absolutamente todas as respostas davam início a tretas, como no caso do tópico “quem vai ser campeão brasileiro de 2009?”, onde metade das respostas era “curintia segunda divisão gambá sem estádio fdp”, “tricolooooooor!!!” e “são paulino bambi”. Algumas discussões de “qual o melhor time?” se estendiam por noventa, cem páginas, e nunca um vencedor era definido.

O motivo encontrado para tamanha adesão aos serviços de discussão é simples: na tentativa de estabelecer ordem no galinheiro, torna-se visível a vontade quase instintiva do ser humano de estabelecer sua opinião como absolutamente certa e apontar as falhas de argumento do “inimigo”. Isso na Internet é chamado ‘treta’, na vida real é chamado de FACULDADE DE DIREITO.

Claro que todo esse papo é pura baboseira, mas implica em mostrar a realidade como ela, de fato, é. Desafio do Beakman de hoje: quem nunca se envolveu numa treta internética, que atire a primeira pedra.

Eu rejeito a sua realidade e a substituo pela minha. Se toda a raça humana tivesse um lema, seria esse.

A Internet, hoje em dia, não passa de uma grande rinha de galos raivosos. Creio que uma boa fatia da pizza de usuários da Internet que frequentam fanaticamente fóruns, listas de discussão e comunidades do orkut ocupam 90% de seu tempo discutindo na Internet. Se eu canalizasse todo o tempo empregado por todas as pessoas que tretam diariamente por questões ABSOLUTAMENTE INÚTEIS e utilizasse para o bem da humanidade, teríamos a cura do câncer em apenas um tópico de “quem ganharia uma briga entre o Super-Homem e o Hulk?”.

Discutir sobre futebol, ou esportes em geral, é até normal. Claro que você vai encher a bola do seu time de coração e defendê-lo com unhas, dentes e dedos no olho se for preciso. Agora, gastar horas e horas dissertando sobre equivalência de poderes, forças e fraquezas de cada herói de todo o Universo… não, quem faz isso só pode estar de sacanagem. O pior é que essas discussões costumam criar tretas de dimensões épicas, muito maior do que a treta dos tiozões do asilo, que jogam bocha todas as sextas-feiras.

Tratar de um universo fantástico como se fosse real é brincar com fogo. A partir do momento que você dá vida ao Superman, todos os outros heróis e vilões vão ficar com invejinha e vão querer ter vida também. Assim, cria-se um círculo vicioso: se você cria uma treta entre Superman ao Hulk, obrigatoriamente alguém vai tretar o Hulk com o Wolverine, com o Lanterna Verde, com a Mônica e seu coelho Sansão.

Essas batalhas geralmente não têm fim. Como não existem ‘provas’ de verdade, qualquer fato ou curiosidade só alimentará o fogo nos olhos de quem discute. Ainda favorece o aparecimento de Trolls, os caras mais filhos da puta da Internet, cujo comportamento é parecido com o ato de tentar apagar um isqueiro com um balde de gasolina. Onde tem troll, tem treta.

Mas eu pensava que já havia visto de tudo na Internet, quando me deparo com uma comunidade onde os membros discutem coisas simples, como QUAL O DINOSSAURO MAIS FORTE. Pediu pra parar, parou.

Tudo bem, você vai à banca, compra sua revistinha, tem uma história fictícia criada pela mente de um quadrinista talentoso ou não, e a história tem início e fim. É um enredo definido e, mesmo criando ramificações inexistentes no papel, você pode interpretar do jeito que quiser – mas, querendo ou não, nada que você pensar muda o que está desenhado. Seu time, por exemplo, ganhou uma quantidade específica de títulos. Se o torcedor de outro time considera este ou aquele fraudulentos, também é uma questão de interpretação – mas nada muda o fato de que o primeiro time ganhou tal título.

Agora… discutir dinossauros? Nossos amigos calangões subiram no ônibus da extinção há mais de 65 milhões de anos, homem algum jamais teve contato com nenhum deles. Claro, existem os ‘dinossauros vivos’, ‘parentes próximos’ e tal, mas não são dinossauros. Os caras comentando qual o dinossauro mais forte, mais rápido, fazendo rankings. O instinto de rir é forte, mas o de chorar fala mais alto.

Como, de que maneira, pessoas vão definir se tal dinossauro é mais forte que o outro? Fósseis estão longe de ser documentários, provas reais de que os dinossauros tinham o comportamento que os arqueologistas diziam ter. Só porque encontram uma evidência simples, como uma pena, perto dos ossos de tal espécie, definem que esta espécie É UM ANTEPASSADO DOS PÁSSAROS, UM ACHADO ÚNICO NA HISTÓRIA. Será que ninguém pensa na possibilidade de um pássaro ter dado um cagote ali e perdido uma pena?

O especialista em dinossauros Guga, numa comunidade especializada, foi perguntado sobre qual seria o dinossauro mais forte de todos os tempos:

na verdade e o carcharodontossauros os cientistas conprovam ele era mais grande e forte de todos os carnivoros encontrados ate hoje .ele tinha cerca de 18 metros de comprimemtos e 6.70 de altura e pesava cerca de.9.400 nove toneladas e quatro centos quilos e seu nome significa {reptil que possui dentes de tubarao}.ficou en 1lugar entre os dinos mais fortes depois ven o giganotossauro em segundo e en terceiro o rex….rsrsrsrsrsrsrs!!!!!!!!!!!!!!..huash huash…..???

Guga, como se pode ver, é um cientista muito rodado, de credibilidade indubitável. Tem milhares de horas de excavações no quintal de sua casa com uma colher de sopa, e já assistiu Jurassic Park por várias vezes. Dêem uma olhada no perfil de Guga:

Não só em Guga ou nessa comunidade em especial, mas nota-se em toda a “comunidade científica de assuntos fúteis” um consenso: o que é mainstream é sempre alvo de duras críticas. Em todos os tópicos da comunidade, os membros sempre dão um jeito de criticar o dinossauro mais famoso de todos os tempos, o Tiranossauro Rex. O chamam de farsa, criticam sua postura de machão e tudo mais, falando sempre COMO SE FOSSE POSSÍVEL AVALIAR O COMPORTAMENTO DE UM LAGARTO GIGANTE EXTINTO HÁ 65 MILHÕES DE ANOS.

Também embarca no mesmo trem mainstream Seiya, protagonista de Cavaleiros do Zodíaco, que nas comunidades é sempre referido como “encosto” e que vive sendo salvo pelos amigos, muito mais poderosos que ele. Outros caras acham Vegeta, de Dragonball Z, muito mais poderoso do que Goku.

O assunto é muito amplo, seria impossível abranger todas as áreas que as discussões de Internet marcam presença. O legado deste post é deixar você leitor com sede de sangue, vontade de participar agora mesmo de uma treta virtual e aumentar vários e-centímetros do seu e-penis. Eu mesmo já estou com vontade de invadir uma comunidade de Cavaleiros do Zodíaco.

Bom, particularmente eu acho o Shiryu um imbecil, peso morto. Duas horas de conversa pra três segundos Todo mundo sabe que o Seiya é o cavaleiro mais poderoso.

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Autor: Raphs

Três palavras definem bem o autor: velho mau humorado. Fisicamente, três anos a menos. Mentalmente, sessenta anos a mais.

54 comentários em “Sobre argumentos, dinossauros e as cabeças de pedra na ilha de Páscoa”

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