A dor nossa de cada dia, nos dai de uma só vez

Manhã de domingo. Dia ensolarado, os pássaros cantam e você acorda cedo depois de uma noite relaxante. Seu corpo está fantástico! Você não se sente cansado – muito pelo contrário, está disposto a aproveitar cada segundo deste belo dia. Você retira o lençol que cobria seu corpo, mas não levanta-se. Fica olhando o nada. Os pássaros cantam.

Então você levanta. Ao levantar, a confirmação de que será um dia maravilhoso. Aquela encarada no espelho, “meu cabelo está ótimo!”. Sem olheiras, você sente que dormiu o suficiente para relaxar completamente. Você procura seus chinelos, que estão exatamente onde você costuma os deixar. Então você caminha até a porta, entreaberta.

Ao passar, você prega a porra do dedinho do pé na quina da desgraça da porta.

Se conseguissemos colocar a dor num universo paralelo, não existiria nada pior do que a sensação de impotência sentida durante os poucos segundos agonizantes que seguem o impacto. Você simplesmente não pode fazer nada contra sua própria estupidez, a não ser tentar arremessar sua cabeça contra a parede de concreto mais próxima, em ode à sua imensa burrice.

E qual a primeira coisa que a gente faz quando isso acontece? CHUTA E XINGA A PORTA, como se a porra da porta fosse culpada de ESTAR ALI PARADA naquele momento. Seria mais do que justo ela poder se defender, sabe?

– FFFFFFFFUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU
– Se fodeu, otário!
– MMMMMMMHHHFFFFFFF………. PORTA FILHA DA PUTA
– Puta é teu pai, aquela bichona. Eu tenho culpa se você é uma lontra?
– AH DESGRAÇA DE PORTA AFAFAF FAF *CHUTA*
– Eu sou uma porta e você que é retardado?

Descrever a dor é quase impossível, a não ser que você consiga imaginar agulhas embebecidas em ácido sulfúrico sendo enfiado por debaixo de suas unhas, enquanto pregos enferrujados em brasa são inseridos lentamente em seus olhos.

Certa vez eu topei tão violentamente com a porta do quarto que meu dedo ficou completamente deformado. Fora a cratera formada pela agressão (um corte imenso que não sangrou e cicatrizou de forma estranha), meu pé ficou dormente pelo resto do dia. Quem nunca deu uma topada dessa, que atire a primeira pedra… no Luke.

Cérebros positrônicos? Inteligência sobrehumana? Imortalidade? Que nada. Nossa evolução será mais eficiente que isso.

Seremos uma raça sem dedinho.

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Autor: Raphs

Três palavras definem bem o autor: velho mau humorado. Fisicamente, três anos a menos. Mentalmente, sessenta anos a mais.

10 comentários em “A dor nossa de cada dia, nos dai de uma só vez”

  1. Devia ter uma categoria só pra histórias de topadas, e eu ia ter que vir aqui doar toda minha expreriência com raínha da topada. A Ultima fui bem feliz atender o telefone que ficava numa mesinha perto do sofá, adivinha? Dei uma bicuda digna de gol no sofá. Meu dedinho no pé direito tá roxo a uns 15 dias. =D

    (é até engraçado depois que a dor passa! ha -pausa contrangedora- ha!

    Abs!

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  2. e quando tu bate a porra do cotevelo em alguma quina.. dá aquele choque dos mais estranhos que faz teu braço ficar igualmente estranho nos próximos 15 minutos..
    escovar os dentes e deixar a porta do armario do banheiro aberta.. cara é batata.. você senta a cabeça naquela bagaça .. tchauebença! mas a do dedinho é dor pracaralho!

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