Um ode ao bacon

Anos atrás, quando a Internets ainda era um embrião no saco do grande papai Internets, formulei uma teoria interessante.

A razão para toda a felicidade do ser humano não estava armazenada no dinheiro, no sexo, no sucesso profissional, nos carros importados e muito menos no funk carioca. O ser humano era feliz por outro motivo, algo fora do ciclo do prazer carnal que todos esses itens nos proporcionam.

Então pesquisei. Pesquisei durante anos a fio em meus gibis da Mônica e minhas revistas Ação Games. O que encontrei foi tão revelador que expulsou a merda pra fora de mim. Para minha surpresa, de meus pais, tios, avós e do Bitão, dono do bar aqui da esquina que tinha a melhor salsicha em conserva do universo, eu não encontrei absolutamente nada.

Cansado de procurar respostas em lugares onde elas obviamente não estariam, passei a viver minha vida normalmente.

Minha vida é insanamente frenética. Eu trabalho, estudo, namoro, salto de pára-quedas e caço ursos selvagens nos planaltos paulistas aos finais de semana. Para dar suporte à tamanha adrenalina, meu coração foi substituído pelo motor 4.8 de um Ford Maverick’79 e mesmo assim já passei por duas safenas e três paradas cardíacas. Tão emocionante que um dia, olhando para minha refeição, reparei algo tão embasbacante que congelou o tempo-espaço.

Ao encarar a larica do almoço com meus olhos de lince, reparei que em meio ao caldo terroso do feijão de minha avó, havia um pequeno pedaço de carne vermelha engordurada, que parecia macia e tenra o suficiente pra atiçar minhas glândulas salivares.

Com o auxílio de um instrumento denominado “garfo”, separei aquele item misterioso para o canto do prato, para esbaldar-me em seu sabor ao final da refeição.

Era bacon. Tinha bacon no meu feijão.

Amigo, preste atenção no que eu vou falar pois será apenas uma vez em sua vida. A razão de sua felicidade, a razão de todo o bem-estar que o ser humano encontra em sua vida gira em torno desta maravilha chamada bacon.

Um simples arroz e feijão se torna um prato épico apenas com a presença de um pequeno pedaço de bacon no prato. A vontade é tanta em devorar logo a peça que, ao separá-lo do restante da comida, a sensação de ansiedade toma conta de você. Você aproveita melhor a comida na esperança que, ao chegar a vez do bacon, ele responderá à altura pelo tempo esperado.

 

 

Anúncios

Autor: Raphs

Três palavras definem bem o autor: velho mau humorado. Fisicamente, três anos a menos. Mentalmente, sessenta anos a mais.

Um comentário em “Um ode ao bacon”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s