Crônica insone

Não bastasse ter ficado 17 horas seguidas sentado na frente de um computador a trabalho, coisa que não fazia desde, sei lá, a revolução russa, eu dormi tarde e mal pra caralho.

Mesmo assim, tive esse sonho esquisito.

Eu sei que estava no banheiro, discutindo com Hugo Chávez sobre as riquezas culturais do Brasil. Ele tentava me convencer, com ótimo portuñol, que a literatura venezuelana batia por muito a herança cultural brasileira.

Eu defendia o orgulho da terra tupiniquim dizendo que nossos poetas e escritores eram reconhecidos mundialmente.

Chávez era contrário. Dizia com toda a arrogância bolivariana que a Venezuela produzia os melhores romances.

Eu terminei a discussão afirmando que Machado de Assis era muito maior que Shakespeare.

O que é engraçado é que eu sou tão bucetão que, mesmo nunca tendo lido Machado de Assis, muito menos Shakespeare, ainda quis argumentar sobre a relevância dos dois.

E pior, ainda comparando escritores incomparáveis. Tudo isso pelo belo prazer de provocar o outro contrário.

Que argumento Hugo Chávez teria contra mim? Nenhum.

Eu nunca li Quincas Borba. Chávez nunca leu Dom Casmurro.

Eu nunca sonhei em trollar Hugo Chavez. Mas acabei trollando Hugo Chávez num sonho.

Toda essa discussão aconteceu no meu banheiro. Hugo Chávez estava no meu banheiro, discutindo literatura.

Eu estava escovando os dentes.

Autor: Raphs

Três palavras definem bem o autor: velho mau humorado. Fisicamente, três anos a menos. Mentalmente, sessenta anos a mais.

4 comentários em “Crônica insone”

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