As novidades da Fórmula 1 2011

Se você viveu os últimos 30 anos dentro de uma caverna escura, se alimentando de lesmas e restos de morcegos mortos, provavelmente perdeu os melhores anos de um dos esportes mais sensacionais que o ser humano já criou.

Competindo pau a pau com a fuga de ursos polares de patinete e salto em distância sobre lava, a Fórmula 1 reúne todos os requisitos mínimos pra fazer seu coração praticar bungee-jump dentro do teu peito a cada manhã de domingo:

  • Alta velocidade;
  • Destreza absurda;
  • Reflexos rápidos;
  • Ser caro pra caralho;
  • Você nunca poder praticar na sua vida.

Nos seus tempos áureos, a F1 ainda era capaz de nos surpreender com momentos tão épicos quanto inacreditavelmente perigosos. Os carros eram diferentes dos dias de hoje: máquinas cuidadosamente desenhadas para atingir os 300 km/h, com a segurança dos carrinhos de rolimã que seu pai descia a ladeira quando era pequeno. Tudo isso em pistas desenhadas por crianças de 5 anos em momentos criativos.

E ainda nos brindava com momentos como este:

Infelizmente, nem tudo são rosas e o tempo passa. Quanto mais velho, mais juízo o homem cria e mudanças foram feitas ano a ano para evitar ao máximo os acidentes. Não para poupar os pilotos, afinal eles continuam voando em latas de fibra de carbono a centenas de quilômetros horários. Os carros são apenas caros demais para enfiá-los em muros de concreto.

Desde o acidente que matou Senna, em 1994, a F1 se tornou um esporte de vovôs.

Assisti a morte de Senna ao vivo, e é minha primeira lembrança da F1. Tinha cinco ou seis anos. Acompanho fervorosamente a F1 desde 1997, quando já 8 anos de idade. A primeira corrida que realmente assisti foi a última corrida daquela temporada. Eu lembro de ter perguntado a um amigo mais velho:

— Mas cara, PODE ISSO?
— Pode o que?
— Bater no outro pra ganhar a corrida?
— Acho que pode, ele acabou de fazer né!!!

Schumacher havia jogado o carro sobre Villeneuve, forçando a quebra do canadense. Schumacher levou bandeira preta e perdeu o campeonato.

Daí em diante, acordava de madrugada a cada corrida, não perdia nada. E eu nunca me toquei do quão sem graça a F1 tinha ficado.

Até agora.

Pra você que caiu do berço e perde tempo no orkut ao invés de ler jornais, a F1 desse ano terá super novidades, muito iradas: asas traseiras retráteis e a volta do KERS.

Guia da F-1: as promessas, as novidades e o que esperar da temporada 2011

O Kers já é um “velho” conhecido. Instalado em 2009, é um sistema que absorve a energia térmica gerada pelos freios dos carros e transforma em potência para o motor. Por alguns segundos, o motor conta com alguns cavalos de força a mais. Em outras palavras, é praticamente um “turbo”.

As asas retráteis são a grande novidade do ano.

Com um comando do painel, o piloto é capaz de modificar a aerodinâmica do carro, ou seja, diminuindo a resistência do vento e tornando o carro mais rápido. Mas também o transformando em um míssil incontrolável.

O problema é o seguinte: a asa traseira é uma das maiores responsáveis pela estabilidade aerodinâmica do carro. Foi preciso um semestre de estágio com cientistas renomados de El Salvador pra que eu finalmente entendesse a física por trás disso, e eu vou explicar pra vocês.

Na traseira do carro, existe essa parte chamada asa, ou spoiler.

Sobre essa asa, existe uma camada finíssima de criaturas tecnologicamente criadas chamadas NANO-GUAXININS, que operam um sistema complexo de turbinas acionadas por vento. Ao toque do botão do painel, um impulso nervoso ativa os nano-guaxinins e eles começam a rodar essas turbinas, fornecendo ao carro uma força extra.

Entretanto, ao mesmo tempo que os nano-guaxinins operam as turbinas, a cadeira do piloto passa a fazer cócegas. Isso diminui drásticamente sua capacidade de pilotagem, fazendo-o perder o controle facilmente durante o acionamento do sistema.

Para manter o sistema seguro, os chefes da F1 determinaram que isso só pode ser utilizado em um certo ponto da pista. E, como um míssil de uma tonelada ainda é perigoso de qualquer forma, isso só pode ser feito se a diferença entre os carros for menor que 1 segundo.

Já jogou aqueles jogos de corrida onde você passa em cima de um botão colorido na pista e recebe um turbo? Praticamente a mesma coisa.

Para o ano que vem, estão previstas ainda mais melhorias: os carros virão equipados com um sistema que despeja cascos de banana pela pista, para os pilotos despistarem os adversários com maior facilidade. Isso com certeza trará muitos sustos e emoções por aí.

Em 2013 então, finalmente chegam os cascos de tartaruga. As corridas ficarão imprevisíveis.

Em 2020,

Autor: Raphs

Três palavras definem bem o autor: velho mau humorado. Fisicamente, três anos a menos. Mentalmente, sessenta anos a mais.

5 comentários em “As novidades da Fórmula 1 2011”

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