Um ode ao N95, o celular mais legal que já tive.

Tive agora a pouco uma pequena discussão com a linda da @pliv_ sobre meu celular, o Nokia n95.

– Tava cansado daquela bosta daquele n95, pâm.
– Não cuspa no prato que comeu.

Já aconteceu com você de ouvir algo que ficasse ecoando em sua cabeça de forma tão intensa que faz você rever teus conceitos?


Tive meu primeiro celular em 2004, um Motorola C200. Embora seu formato quase fálico nos traduza extrema boiolice, tenho certeza que o C200 encabeça a lista de celulares mais resistentes da história da humanidade. Valente guerreiro, sobreviveu a inúmeros tombos, ralados e até um automóvel passando por cima.

O abandonei por ser libertino demais aos 16 anos pra andar com celular.

Um ano depois, adquiri um Nokia alguma coisa, famoso “celular com lanterna”. Por extremo luxo (é nostálgico dizer que um celular de display monocromático e luz esverdeada podia ser chamado de luxo), sequer andava com celular e quis adquirir um novo. Este usei com mais frequência, embora muito mais como passatempo do que falando.

Este celular tinha, além da lanterna, uma versão visceral do Snake, o famoso jogo-da-cobrinha. O jogo tinha 16 níveis de dificuldade (!!), sendo que o último era absurdamente desumano. Era sobrenatural. Ao jogar naquela velocidade, parecia que podia sentir o vento e a vertigem de se dirigir uma cobra (!) a 320km/h. Naquela velocidade, o réptil era capaz de dobrar o tempo-espaço e atravessar paredes, coisa jamais possível em celulares de menor tecnologia.

Mas tudo que é bom dura pouco, e novamente abandonei o aparelho por ser libertino.

Em 2007, primeiro ano da minha maioridade, decidi comprar um celular que realmente me fosse útil. E por obra do acaso, acabei comprando o que parece ter sido o único espécime vivo daquele modelo, o LG MG320C.

MG320C, o celular mais raro de Sertãozinho

Embora tenha ficado com ele quase um ano e meio, nunca tinha reparado o quão retardado é escrever MEGA PIXEL embaixo da câmera do celular. É como escrever POTÁSSIO em uma banana.

Embora ele fosse lindo e peça fina de design, sofria com o problema de todo LG: lento e burro. Funcionava legal, mas descarregar fotos no computador era tão difícil quanto tirar a merda de dentro do intestino de um tiranossauro usando as mãos.

Depois dele, tive um Sony Ericsson W580. Rápido, moderno,  crocante, passei com ele alguns dos momentos mais legais da minha vida: mudanças sociais, profissionais, etc.

Mas ele tinha lá seus problemas. Embora superasse todos os outros celulares do universo em todos os quesitos, bugava com praticamente qualquer coisa. Mensagem? Bug. Música? Bug. Jogos? Bug.

Até que chegou o n95.

Paixão à primeira vista. Na época, celulares que acessavam a internet eram tão modernos quanto carros que voam ou pessoas vivendo em satélites de planetas vizinhos, coisa comum no futuro em que vivemos. Eu, tarado por novidades e gadgets, precisava de um.

E assim, manobras e manobras depois, novamente arquitetadas pela linda da @pliv_, consegui meu n95.

Creio que tenha sido o primeiro celular que estuprei praticamente todas as funções. De pendrive a controle remoto, de emuladores de SNES a desabilitadores de redes wi-fi públicas, tirei do n95 absolutamente tudo o que ele tinha a oferecer, e no final ainda torci um pouco e extraí o caldinho.

Enquanto outros nadavam no mar dos gadgets com iPads, iPhones, iFoda-ses, eu persisti enquanto pude às moléstias que a sociedade me impunha. Enquanto na fila do barbeiro um senhor dedilhava seu celular touchscreen imenso , eu me sentia talhando minhas SMS em pedra usando um celular de teclado convencional.

Particularmente, ainda prefiro um teclado físico do que o teclado virtual dos touchscreens, mas enfim. O n95 sempre foi um celular do caralho. Hoje, eu praticamente o usava apenas para chamadas, verificar e-mails e usar o twitter.

A melhor parte de ter um n95 é que me dá todo o direito de falar mal sobre ele.

O n95 é bom pra muitas coisas, mas EXTREMAMENTE PERFEITO pra quase nada. É lento, “burocrático” e torna tarefas simples, complicadas. Até a lista de contatos, coisa mais básica em um celular, vira uma zona quando se troca de chip.

Bagunçar os contatos de um celular é como uma criança se atrapalhar ao cagar nas calças.

O n95, em resumo, é um celular tão confiável quanto uma arma de fogo carregada na mão de um zagueiro do Corinthians.

O problema do n95, e praticamente de todos os celulares fabricados depois de 2008, é que a duração da bateria é proporcionalmente inversa à necessidade que você tem dela. Quanto mais você precisa do celular, menos bateria ele vai ter.

Por exemplo: você está na fila pra aquele exame admissional na firrrrma. A espera para ser atendido geralmente é 450 vezes maior do que o tempo que você passa sendo examinado. Se você é como eu, não consegue ficar à toa, a sua única alternativa é alcançar o celular e fuçar até seus dedos sangrarem, certo? Com um n95, parabéns, você não poderá ter nada disso!

Além disso, você sempre pode contar com o excelente visor indicativo de bateria, que faz a mágica de, em questão de dois minutos, exibir a carga de 90% cair pra 10%. E aí você está na faculdade, seu ônibus quebra e você não pode avisar ninguém pois sua bateria pode acabar a qualquer momento!

É ou não é sensacional?

E o tamanho do n95, então? Ah, pode dizer, você sempre sonhou em carregar um tijolo baiano em suas calças. Com o n95, você pode! Tão sutil quanto um Airbus , o n95 se encaixa perfeitamente no seu bolso, dando a impressão de você estar andando armado ou carregando um item caro o suficiente para incentivar um assalto!

E não é só isso! O n95 também é ergonomicamente desenhado para se encaixar tão bem na sua orelha quanto um coturno militar tamanho 44! Além disso, o n95 conta com o exclusivo sistema POWER N95 HEAT GENERATOR BARBECUE 3000, que transforma o celular em um potente grill ao usar o telefone por mais de 10 minutos. É incrível!

O n95 ainda conta com o invador e divertido sistema AUTO SHUT DOWN SURPRISE FOR NO REASON V1.3, que desliga o aparelho sem razão aparente quando você menos espera. É um susto a cada clique! Essa tecnologia ainda trás a SIM INEXPLICABLE EJECTION FOR NO ABSOLUTELY REASON, que faz seu cartão SIM não ser reconhecido pelo celular por motivo algum!

É ou não é o celular mais moderno que esse planeta setenta e cinco por cento coberto de água já conheceu?

Na sexta-feira, 10 de Junho de 2011, o n95 deu espaço ao Samsung Galaxy Ace, o qual pretendo resenhar aqui no blog em breve.

Esse n95 se encontra parado, descansando em seu leito eterno de papel e plástico. Não tenho planos pra me desfazer dele, pois está muito arranhado e com marcas de uso – não valeria muita coisa.

Não sou muito de me apegar a bens materiais a ponto de guardar algo que não uso para sempre. Já comprei dezenas de coisas e vendi grande parte delas para adquirir coisas novas. Sou, sim, eternamente grato pela companhia durante todo esse tempo.

Por mais que (por muitas vezes) tenha pensado em arremessá-lo na frente de um estouro de boiada, caro n95, eu lhe sou grato.

Quem diria, o OJ se tornando um blog das altas tecnologia das putaria.

Autor: Raphs

Três palavras definem bem o autor: velho mau humorado. Fisicamente, três anos a menos. Mentalmente, sessenta anos a mais.

8 comentários em “Um ode ao N95, o celular mais legal que já tive.”

  1. HAHHAH ri muito da imagem
    sou do tipo fã do n95. quase um ano sem o meu, e ainda sinto falta ):
    estou bem com meu 5530, mas por influencia sua, quero um galaxy ace também.

    droga, você fez meu 5530 parecer meu antigo siemens a50 ):

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  2. Arrebentou. nostalgia pura… os melhores da minha vida contando beleza, usabilidade e momentos importantes foram o motorola v600 e um lg que era um dos primeiros com visor colorido. tive um sansung prata com o visor azul iradissimo. usaria hoje em dia na maior sem sombra de duvidas.

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  3. bem!só pra lembrar eu ja tive nas minhas contas 32 celulares durante esses 10 anos -guando a nokia lançou o n95 eu linha um 3220 hoje eu tenho um n95-1 à trez anos pelo que eu intendo de celulares ainda ele deixa muitos moderninhos no chinelo

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