Uma singela confissão

Quando era mais novo, eu era um puta de um babaca.

Na minha época de maior revolta, revolta essa tão grande quanto sem motivo, eu andava barbado, cabelo enorme e mal cortado, calças rasgadas… eu era um roqueiro de 15 anos, e tinha tudo o que um roqueiro de 15 anos tem direito.

Eu ia assim na igreja

Isso foi bem antes da cena emo tomar conta da juventude. Eu me irritava muito fácil, era explosivo, caótico.

Como todo roqueiro de 15 anos, eu repito, era um babaca. Conhecia duas bandas e achava que conhecia o mundo do rock, conhecia tudo de música e atacava o gosto dos outros. Não que o gosto dos outros não seja realmente uma MERDA, mas o meu era o melhor gosto musical. Do mundo.

Só que eu só ouvia Legião Urbana, cara. Um roqueiro de 15 anos que só conhece Legião Urbana é um cara que se declara veterano de guerra por jogar Counter Strike.

Teve um dia que eu fiquei muito bravo, sabe-se lá o motivo. Aí como símbolo máximo de revolta, eu cheguei em casa e fui direto pra onde? Pro computador.

Sentei furiosamente na minha confortável poltrona (à época uma cadeira de plástico) e pensei: como demonstrar essa raiva? Como posso tirar de mim a agonia que é ser um adolescente imbecil? Como, cara? Como?

Abri o KazaA, que muitos de vocês meninas de 13 anos sequer chegou a conhecer, mas era o compartilhador de músicas mais usado na época e pensei:

– Vou baixar algumas músicas muito más e vou mostrar pro mundo minha revolta!

Aí fui lá no ápice do meu ódio adolescente e baixei Number of the Beast, do Iron Maiden.

Me senti O ANTICRISTO.

Eu realmente era um adolescente babaca.

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Autor: Raphs

Três palavras definem bem o autor: velho mau humorado. Fisicamente, três anos a menos. Mentalmente, sessenta anos a mais.

16 comentários em “Uma singela confissão”

  1. Identificação total com o texto. Eu também fui um roqueiro babaca de 15 anos. Eu vestia roupas pretas, usava anéis de caveira feitos de chumbo, tinha o cabelo grande (quase uma juba, meu cabelo não é lá muito bom) e me achava foda porque era diferente. Eu era contra o sistema, embora não saiba exatamente o que isso queira dizer até hoje.

    Agora, 15 anos depois, trabalho todo dia de paletó e gravata e nem posso peidar direito, porque é contra o sistema. Seja lá o que isso queira dizer.

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  2. Eu, como segui passos de irmãos mais velhos, fui um adolescente babaca aos 11 anos, aos 13 eu resolvi q podia ser muleque denovo, pelo tempo q isso for divertido, eu aprendi que n preciso achar ruim os gostos musicais alheios, eu posso me divertir ironiza eles sem a Pessoa perceber, eis q aos 15 eu construi uma vida social…

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  3. Veja pelo lado bom.. tu se recuperou. Tem gente que passa a vida inteira achando que faz diferença no mundo por ter cabelo comprido e usar roupa preta. m/

    EH METAL NA VEIA E SANGUE NO OLHO!!!!!11!11

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  4. Então neh…apesar de ainda ser ”uma adoleceste babaca”eu já passei por isso nos meus 15 anos…Sinto que era mais babaca naquela época…

    Do modo de me vestir,agir e td…

    hj em dia até acho que sou bem normal…mais vai saber neh…amei aqui to seguindo

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  5. Eu tbm fui uma adolescente babaca, mas eu me orgulho disso, pq pelo menos naquela época não existiam EMOS, Luan Santana, Justin Bieber ( é assim que escreve o nome desta criatura?????), e afins….
    Fomos adolescentes babacas, mas nossas idiotices tinham algum sentido, e alguma cultura! ou pelo menos cultura útil!
    Sem mais….

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