Resenha: In Time (O Preço do Amanhã)

Existem coisas na vida que temos de pesar prós e contras antes de fazer. Filmes, por exemplo. Você pode gastar duas horas da sua vida assistindo um filme meia-boca ou passar as mesmas duas horas vendo vídeo de gatinhos no Youtube.

Dessa vez eu optei pelo filme.

Já viu um daqueles filmes que você cria uma certa simpatia no começo, mas conforme o filme passa você vai sentindo uma vontade incontrolável de abaixar a cabeça e sentir pena? Aquela sensação de vergonha alheia que todos sentimos, por exemplo, quando vemos algum conhecido fazendo claramente ridículo e sendo obrigado a levar a sério?

Eu sei que já.

In Time (“O Preço do Amanhã”, 2011) é um exemplo disso. O filme é a tentativa de transformar Justin Timberlake em um astro de ação, colocando-o no papel de Will Salas, um trabalhador do gueto de uma sociedade cujo dinheiro foi substituído por tempo de vida.

Sim, tempo. Num futuro sei lá quão distante, todas as pessoas param de envelhecer aos 25 anos, quando um relógio aparece (sem motivo) em seus braços, indicando o tempo de vida que ainda resta. Quando o relógio zera, a pessoa sofre um ataque cardíaco incrivelmente dramático e morre.

Assim como o velho dinheiro, pessoas matam e morrem por tempo. Fugindo da Máfia do Tempo (!), Will recebe de um cara 100 anos de vida, até então uma quantidade absurda de tempo. O maluco se mata, Will se torna suspeito de assassinato e passa a ser perseguido pelos GUARDIÕES DO TEMPO (!).

Em ‘busca por vingança”, Will decide fazer com que eles pagem por tudo que tiraram e segue por uma jornada contra o sistema. Daqui em diante, você começa a se perguntar o tempo todo: O que raios eles fizeram pro Will?

E aqui eu começo a te convencer a não ver este filme: ele fede.

A começar pela escolha o elenco. Dias atrás assisti um outro filme de Justin Timberlake, Amizade Colorida (Friends with Benefits, 2011), e achei divertido. Entendo merda nenhuma de cinema, mas ele tem aquela cara de ator de comédia romântica. Eu não vejo Justin Timberlake saindo no pau com o Stallone. Eu não consigo ver o líder da melhor boyband de todos os tempos no próximo o Exterminador do Futuro.

Não existe um ator de ação em Justin Timberlake.

Complementando o elenco “estelar”, temos Johnny Galecki (o Leonard de Big Bang Theory, mais um a passar o resto da vida fazendo papéis pequenos), e ninguém menos que a maior estrela de Hollywood do momento, Olivia Wilde (que nas horas vagas ocupa o cargo de mulher mais gostosa do universo).

O detalhe é que nenhuma destas “estrelas” tem importância nenhuma no filme. Galecki interpreta Borel, melhor amigo de Will, que morre antes da primeira meia hora de filme e não acrescenta absolutamente nada.

Olivia Wilde interpreta a mãe de Will, Rachel Salas. O detalhe é que, como as pessoas param de envelhecer aos 25 anos, Rachel é a cinquentona mais gostosa do planeta, o que é perturbador. Não existe maldição pior do que ter uma deusa de olhos verdes andando de camisola pela casa e não poder sequer olhar – porque ela é SUA MÃE.

E… bom, os caras devem estar limpando a própria bunda com recursos financeiros, porque trazer Olivia Wilde pra um filme desse e RESOLVERAM MATAR A PERSONAGEM DELA COM 20 MINUTOS DE FILME.

Escalar a atriz mais badalada de Hollywood da atualidade pra uma aparição de vinte minutos  é mais ou menos como, bom, você ter Olivia Wilde numa suíte de motel paga por três horas e ficar apenas 20 minutos… conversando sobre economia.

A morte prematura de Olivia Wilde, com direito a vestido esvoaçante e calcinha aparecendo, é tão perturbadora que mexe com a cabeça do próprio Will. Indignado com tamanha heresia, ele parte em uma busca por vingança e decide fazer com que eles paguem por tudo o que tiraram.

QUEM PAGAR PELO QUÊ, MALUCO. A mãe do cara morre do coração porque não tem tempo (ou seja, é pobre) e o cara quer se vingar? Imagina se isso vira moda! Filhão, acorda!

Will é filmado não fazendo ABSOLUTAMENTE NADA e CHEGANDO DEPOIS do suicídio do maluco do início do filme, e mesmo assim é perseguido pelos GUARDIÕES DO TEMPO. E que raio de nome é esse?

Os caras têm a prova EM VÍDEO de que Will não fez absolutamente nada e ainda correm atrás do cara como se todo mundo estivesse no colégio e Will tivesse aberto um pacote de Tic Tac. Porra!

O diretor gastou mais tempo criando novos e novos termos e tramas que se esqueceu de prestar atenção no resto do filme. A cena em que Will e a outra guria (que não vou me dar o trabalho de saber quem é) capotam o carro é uma das cenas mais ridículas que já vi na vida.

Os dois estão correndo pra caralho em um carro conversível, sem cinto de segurança, capotam o  carro e param sentados e lindos. A computação gráfica usada na cena é tão medíocre que faz com que Sharktopus pareça Avatar 3D em IMAX.

Do meio pra frente, o diretor pira e transforma o que seria uma perseguição a um criminoso numa guerra contra o sistema, temperado por uma vingança que não existe e um romance que não empolga.

E a morte de Olivia Wilde realmente fez uma bagunça na cabeça do cara. No começo do filme, Will trabalha numa fábrica que produz as peças metálicas que “armazenam” tempo, um trabalho completamente braçal. Entretanto, Will pira de uma forma tão radical que desenvolve habilidades pistolísticas nunca vistas. Absolutamente DO NADA, Will tem uma arma e a manuseia de forma tão superior que faz o treinamento de James Bond no MI6 parecer uma sessão de Call of Duty numa manhã de sábado.

Pra ilustrar, no final do filme (foda-se com o Spoiler) Will se encontra cercado por cinco membros da Máfia com armas apontadas para sua cabeça. Liso como manteiga em uma panela quente, Will saca sua pistola e mete uma azeitona na cabeça dos cinco marginais antes que você possa esticar a mão pra pegar mais pipoca.

Will não tem nenhuma espécie de treinamento militar, é peão de fábrica e manuseia uma arma com perfeição apenas por precisar fazê-lo. Eu preciso ficar rico, significa que tenho quantidades imensas de dinheiro quando quiser? Não. Isso é chamar o povo de burro.

O problema de realidades alternativas e futuros apocalípticos é que tudo precisa ser muito bem explicado. Eu precisei apenas de um Matrix pra entender a história. Precisei de apenas um Harry Potter pra ficar interessado em Hogwarts. Precisei de apenas um Crepúsculo pra ter uma desinteria.

Da forma que foi dirigido e narrado, precisaríamos de mais ou menos trinta e quatro sequências de In Time pra entender todo aquele universo. São TREZENTAS MIL PERGUNTAS a fazer e nenhuma delas jamais vai ser respondida.

– O que raios acontece com a pessoa pra aparecer um relógio na porra do braço?
– Como funciona o “sistema monetário” de tempo se os relógios aparecem apenas aos 25 anos? Antes eles compram com quê? DANDO O RABO?
– Porque o “Guardião do Tempo” se preocupa tanto em falar do pai de Will em toda cena, quando na real isso não influencia em praticamente  no filme?

Filmes meia-boca têm de apelar pra “triunfos” pra poder arrecadar alguma grana. Filmes do tipo Jogos Mortais, Albergue e Premonição apelam pro povo que gosta de ver umas carnes expostas. Comédias românticas apelam pro pessoal de coração partido. Filmes de ação meia-boca apelam pra humor involuntário.

Esse filme não teve a capacidade de fazer nada disso. O que ele fez foi chamar nomes de peso pra fazer um trailer legal, um pôster bacana e esperar que os idiotas lotassem a sala de cinema pra ver o maluco do Big Bang Theory e a Treze fazendo alguma coisa de interessante. Mas NÃO, ELES MORREM.

O que sobra é o suficiente pra fazer o filme mais MÉDIO que vi nos últimos anos. Não faz nada que o torne o pior, mas também não desprende esforço algum pra ser bom. Assista se você tiver muito tempo sobrando.

Digo, MUITO tempo sobrando. Alguns vídeos de gatinhos são tão mais interessantes…

Autor: Raphs

Três palavras definem bem o autor: velho mau humorado. Fisicamente, três anos a menos. Mentalmente, sessenta anos a mais.

5 comentários em “Resenha: In Time (O Preço do Amanhã)”

  1. Ainda não vi esse filme, e com certeza não verei. Apenas vou catar no YouTube a cena da morte da Olivia Wilde, com direito a vestido esvoaçante e calcinha aparecendo. Me parece ser essa a melhor cena do filme.

    Justin Timberlake tem sorte de ter feito fama, dinheiro e sucesso na música. No cinema, o cara não passa de um ator mediano, quanto muito isso.

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    1. Eu já vi o filme e é bem fixe, e o facto de dizerem como o relogio aparece nas pessoas, é facil nascem com ele é como nos nascemos com cabeça e a mesma coisa, só que aquilo é num undo diferente do nosso

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  2. eu assisti e é desse jeito mesmo, meio diferente pela historia que te faz comparar algumas coisa em relação a nossa vida real, interessante mas o filme não é aquele filme muito bom, é um básico com historia interessante.

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