Resenha: Syndicate (Demo Co-op, Xbox360)

Insano. Se você tiver andando pela rua um dia, e casualmente me encontrar e perguntar “Ei, o que você acha da demo de Syndicate?”, eu responderia isso. Insano.

Dias atrás eu estava reclamando da falta de jogos difíceis na atual geração. Não aqueles jogos com a dificuldade “HARD INFERNO HELL WITH FLAMES OF DOOM” que alguns jogos oferecem (Oi Gears 3), mas jogos que até na dificuldade padrão já te proporcionam desafios.

Pelo que vi na demo de Syndicate, este jogo vai ter um pouco disso.

Dez vezes mais inimigos que isso, garantido.

Syndicate é uma releitura de um jogo de 1993 para PC, da época que os jogos para PC eram algo de revolucionário. O enredo é aquela ladainha super original: um futuro nem tão apocalíptico onde tudo é controlado por corporações e você luta contra terroristas e bla, bla, bla.

A diferença aqui é o gameplay. A premissa do jogo é que tudo é conectado digitalmente, e isso inclui desde você até seus inimigos. Você comanda uma equipe de quatro pessoas (ou bots), divididos em três classes (offense, defense e support), que precisa alcançar objetivos ou defendê-los.

Cada classe tem uma habilidade, como uma visão termal, cura ou o poder de parar o tempo. Essas habilidades não só são necessárias, como ESSENCIAIS, umas vez que é praticamente impossível manter-se vivo sem elas.

Tudo o que você faz é classificado por pontos, seja por mortes, assistências ou objetivos cumpridos. Clássico.

Uma das coisas fantásticas da Xbox Live (e provavelmente da PSN) é você poder baixar demos de jogos que nunca ouviu falar, a hora que quiser. Eu já tinha ouvido falar de Syndicate, mas nunca me interessei. “Só mais um FPS genérico que vai me fazer sentir falta de CoD”, pensava.

Aí baixei a demo e… caralho.

Sangre, saaaaaangre e muitas balas.

Pra começo de conversa, a demo era Co-op. Já achei muito foda isso. A EA é conhecida por ser mercenária ao extremo, lançando jogos novos das mesmas franquias todos os anos. Disponibilizar uma demo Co-op online é uma iniciativa bacana, pontos positivos.

Infelizmente, você, EA, tem pontos negativos demais por não trazer de volta a franquia Underground de Need for Speed. Ainda fica no vermelho.

No começo fiquei meio confuso, como é normal em jogos de interface desconhecida. Você escolhe as classes, o personagem e é jogado com três negos desconhecidos pra formar o time. Achei ruim que não é muito balanceado. A formação do time não é como Left for Dead, que cada um escolhe um personagem e fica um time diverso. Aqui todo mundo escolhe Offense e vai embora.

Um load demorado depois e aí foi o soco na cara. O que eu vi foi um jogo completamente insano, com tiros voando na tua direção o tempo todo. O melhor – e sim, é algo positivo – é que tudo na tela é “de verdade”.

Eu me explico: jogos como BF3 e MW3 (no single player) mostram “tiros no background” ou inimigos atirando com a intenção de não te acertar pro jogo não ficar muito difícil. Em Syndicate, tudo te atira e tudo te fode. Não me lembro de ter jogado um FPS onde dez ou mais inimigos aparecem e atiram pra te matar de verdade.

Como o jogo é Co-op, tu tem que fazer teu nome. Como joguei só com gringo egoísta e chato, cada um foi querendo matar mais que o outro, e tudo. Você deve cumprir objetivos (vá de A até B, desative C, etc.), mas o real interesse fica na pontuação – a forma 2012 de decidir quem tem o maior e-penis.

Me diverti jogando, principalmente por ser algo novo e desafiador. Mas como todo jogo, Syndicate tem defeitos.

O intuito do jogo é ser frenético, ok, mas precisa obrigar o jogador a ter visão de águia? Na boa, os cenários são bonitos, o clima é bacana, mas é absolutamente impossível tu conseguir enxergar alguns inimigos sem o uso da visão termal ou outro tipo de engenhoca moderna.

A jogabilidade é interessante, mas mecânica demais na movimentação. Os personagens são duros, não conseguem deitar e é difícil saber se você está agachado, porque a diferença é imperceptível.

A munição é escassa. Isso torna o jogo desafiador, tudo bem, é interessante ter que trocar de arma. Mas não a cada dez metros, porra. Você gasta 80 tiros pra conseguir acertar um maluco, aí fica sem munição e tem que correr no meio do inferno na Terra pra conseguir… um revólver. Em 2069, tem gente usando revólver.

O ano é 2069 e os carros voam. FODA-SE EU VOU DE 38

Não é difícil mirar, é impossível. Não só pelo furacão que acontece à tua volta, mas pelo tamanho das armas em relação a suas miras. É mais ou menos como se tu pegasse uma bateria anti-aérea em Israel e tentasse acertar um anão ninja no meio da floresta amazônica.

Muitas vezes você aponta a arma para um lado e dispara como um retardado enfurecido na esperança de um tiro penetrar os miolos do inimigo. Aí tua munição acaba e tu precisa daquele revólver fudido.

Considerações finais:

Syndicate tem muito a oferecer. É um dos poucos jogos originais que despertaram minha atenção nos últimos tempos, mesmo depois de uma experiência não tão boa com a demo.

Tenho absoluta certeza de que o game completo é sensacional. As diversas classes e a possibilidade de jogar com amigos é interessante. Com o tempo, todos os defeitos acabam passando quando se ter diversão a foder com tudo.

Gráficos: 7 – difícil de enxergar os inimigos sem ajuda;

Som: 9 – te coloca naquele clima de AI MEU DEUS O QUE EU FAÇO EU VO MORRE que o jogo praticamente exige;

Jogabilidade: 7 – dura e previsível, você fica esperando mais;

Diversão: 8 – deve ser divertido jogar co-op com cooperação de verdade;

Replay value: 8 – diversão pra uns bons meses;

Fica com um pouco de Gameplay aí:

 

Autor: Raphs

Três palavras definem bem o autor: velho mau humorado. Fisicamente, três anos a menos. Mentalmente, sessenta anos a mais.

Um comentário em “Resenha: Syndicate (Demo Co-op, Xbox360)”

  1. Como eu sou alguém que veio do PC, detesto jogar FPS em consoles exatamente pela falta de precisão do analógico. Mas como todos os outros players estão na mesma situação, não é bem um problema. Não é isto que está dificultando sua jogabilidade?

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