Eu arrumo cama de motel

Sabe, em sete anos de blog (só eu acho isso impressionante?) dediquei grandes esforços pra destruir qualquer tipo de reputação que eu possa ter. Já declarei que não sei estacionar, que comia miojo com palito de churrasco pra fingir que era japonês, que apanhei de um gordo na escola e no último post eu disse que me vestia como um bóia fria.

Acredito que essa seja o crème de la crème, o ápice. A partir daqui, mesmo se eu disser que costumo encenar cenas de filmes melosos com bonecas, você vai achar sensacional. Comparado a isso, mijar na cama até os 13 anos é uma conquista.

Uma das grandes ilusões que crescemos acreditando é de que todas as pessoas são únicas e especiais. Grande besteira. Já pensou se existissem sete bilhões de opiniões únicas sobre um mesmo tema? Teríamos sete bilhões de religiões no mundo.

Algumas coisas, no entanto, nos tornam realmente únicos. Coisas como a que vou contar a vocês agora.

Eu arrumo cama de motel. 

OH MY GOD YOU DIDN'T

Já disse isso várias e várias vezes, pra dezenas de pessoas diferentes, em ocasiões diferentes. Em todas elas, a reação foi a mesma. Para ilustrar o tamanho da indignação que tal notícia foi recebida, elaborei a ESCALA DA INDIGNAÇÃO, que mede o quão pavorosa é uma certa situação.

Ah, o post continua depois da imagem gigantesca.

FICA MAIOR SE VC PASSAR A MAO!!!E113
FICA MAIOR SE VC PASSAR A MAO!!!E113

A cara de horror das pessoas que ouvem isso é impagável. É uma mistura de incredulidade com nojo, algo difícil de explicar com palavras. É mais ou menos a cara que você faz quando tua vó Lourdes te coloca pra dançar com a sua prima gorda do Mato Grosso.

Mas, sinceramente, não entendo tamanha surpresa. Na minha cabeça faz todo o sentido.

Como a maioria das pessoas que lê meu blog tem 15 anos ou menos, ou o equivalente sexual de um menor de idade, deixe-me explicar o que é um quarto de motel.

Quarto de motel é como banheiro de rodoviária: você só usa quando precisa, tenta não imaginar o que outras pessoas fizeram ali antes de você e você quer sair de lá o mais rápido possível depois de fazer o que veio fazer. Não é um lugar pra se FICAR. Você não chama os amigos pra curtir uma cabine de banheiro de rodoviária, assim como você não toma uma com os caras numa suíte de motel.

Então você o usa. Depois de violar todos os pecados capitais em horas de louca, selvagem e incansável paixão, o quarto provavelmente se parece com um cativeiro de macacos selvagens insandecidos.

O procedimento padrão diz que, quando você libera o quarto, o pessoal da recepção manda uma tiazinha de boa índole pra ver se o quarto está em condições aceitáveis, se alguma coisa foi consumida ou se você sacrificou um bode num ritual satânico e banhou o lugar inteiro em sangue e pecado.

Enquanto as tiazinhas da limpeza checam o quarto, você é obrigado a ficar parado na recepção do lugar, sendo sujeito a olhares de “eu sei o que você acabou de fazer”.

Eu sei o que você fez poucos minutos atrás.
Eu sei o que você fez poucos minutos atrás.

Aí é que a coisa fica cabeluda. Na maior parte das vezes, as tiazinhas da limpeza apenas entram no quarto e certificam-se que o quarto esta lá. Pra elas é o suficiente. Dois minutos e você esta liberado.

O problema de verdade é quando, no lugar da tiazinha facilmente satisfeita, os caras enviam uma PORRA DE UMA EQUIPE DO CSI.

Cada milímetro do lugar e vasculhado por olhos analíticos treinados. Toda superfície do lugar é varrida com luz negra, todas as digitais são colhidas, qualquer vestígio de material genético é analisado e arquivado. Seguranças fardados cercam o lugar, fitas zebradas isolam a cena do crime, ninguém entra, ninguém sai – nem você.

Obrigado a esperar o resultado de uma investigação criminalística, você fica sendo alvo de olhares e tentando ter uma conversa com sua companhia – provavelmente sobre qualquer assunto senão o que vocês acabaram de fazer.

— Então…
— é…
— Será que chove?
— É, tá com cara…
— É…
— É…
— E o Curintia?

Eu detesto esperar, portanto eu arrumo, sim, cama de motel.

Não, não é preocupado com a organização do lugar. Também não é nenhum tipo de TOC ou mania de arrumação, muito menos qualquer comportamento coxinha. Sim, estou ciente de que cada centímetro quadrado dali é trocado, sendo usado ou não.

Eu arrumo cama de motel apenas pra sair dali o mais rápido possível, e vou explicar por quê.

Pra me explicar melhor, pemita-me fazer uma pequena comparação. Em um campo de futebol, o mais importante são as traves. Em uma piscina, o mais importante é a água.

Em quarto de motel, o mais importante é a cama. Em minhas experiências pela vida, aprendi que você pode promover o mais absoluto caos do universo, contanto que a cama esteja arrumada, seu quarto estará liberado em segundos.

AH MAS QUE BAGUNÇA, TRAZ A VASSOURA LÁ
AH MAS QUE BAGUNÇA, TRAZ A VASSOURA LÁ

Sério. Você pode estripar um bezerro, esfregar fezes humanas em todas as paredes e ocupar o box do banheiro com uma pequena criação de lesmas africanas carnívoras. Aprendam isso: se o lençol da cama está esticado, o resto pouco importa.

Não, eu nunca fiz nada disso. Ainda.

Pode começar a me zoar.

Autor: Raphs

Três palavras definem bem o autor: velho mau humorado. Fisicamente, três anos a menos. Mentalmente, sessenta anos a mais.

Um comentário em “Eu arrumo cama de motel”

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