Brevemente sobre Power Rangers, Pasta de Dente e as Cabeças de Pedra na Ilha de Páscoa

É engraçado como algo pequeno te faz mudar a percepção de algumas coisas.

Hoje pela manhã fui escovar os dentes. Todo mundo faz isso. No armário, haviam dois tubos de pasta de dentes, cada um de uma marca. Por engano, ou por ainda estar dormindo em pé, acabei abrindo os dois tubos antes mesmo de pegar a escova.

Ao me tocar do erro, dei um sorriso de canto de boca e então descobri que não era mais criança.

Descobri que a tampa de uma marca de pasta de dente não serve no tubo da outra. O tamanho da rosca não é a mesma, não são compatíveis. A tampa do tubo de pasta de dente é exclusivo daquele tubo de pasta de dente.

A pasta de marca Y não me deixa escolher como vou tampar meu tubo de pasta. É como se dissessem “a tampa é esta e você vai usar apenas esta”. Segundo eles, é mais fácil eu usar silver tape do que usar uma outra tampa de pasta de dente. Isso não vem escrito na caixa.

Não mais o tenho direito de escolher o que quero fazer com o que compro.

É como não poder trocar os cordões de dois tênis diferentes. Podem ser idênticos em conceito, utilidade e aparência – mas não poder usar um cadarço Nike no meu Adidas.

Ou ainda, dizer que é proibido misturar peças de coleções diferentes de Lego. Fazê-las incompatíveis. Não poderia misturar meu Lego Castelo com meu Lego Velho-Oeste, ou com o Lego Carrinho de Bombeiro. Cavalo bombeiro? Não. Príncipe Caubói? Não.

Deixei de ser criança quando comecei a calcular a logística envolvida nos Megazords dos Power Rangers.

Porque eles não utilizavam os Zords logo no começo, quando o bicho era pequeno?” – A conclusão é que devia ser muito, muito caro manter um Megazord. Um robô de trinta metros de altura deve consumir mais que um Opala desregulado. Eles só utilizariam em último caso, se extremamente necessário.

Se os Power Rangers mantinham segredo total sobre sua identidade, quem fazia despesa no Centro de Comando? Quem fazia faxina? Quem pagava a conta de luz?

Será que os Power Rangers tinham papelada pra preencher? Plano de metas? Controle de danos? Na ponta do lápis, era mais conveniente deixar o monstro – ainda nanico –  aterrorizar a Alameda dos Anjos do que ter que destruir meia cidade a bordo de robôs gigantes.

De onde saía tanta faísca? Porque a grama explodia?

Começar a olhar pra trás com os olhos de adulto é a pior revelação que alguém pode ter. Ou se deixa de olhar pra trás, ou se deixa deixar de ser criança.

A verdade é que já deixei de ser criança quando me dei conta de que nunca vou deixar de ser criança.

Autor: Raphs

Três palavras definem bem o autor: velho mau humorado. Fisicamente, três anos a menos. Mentalmente, sessenta anos a mais.

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