Sobre as figurinhas do chat do Facebook

REUNIÃO NO QUARTEL GENERAL DO FACEBOOK

— Seguinte pessoal, a gente precisa inventar umas coisas novas pra deixar o chat mais interessante, mais dinâmico.

— A gente podia colocar uns emoticons novos…

— NÃO. A GENTE PRECISA DE COISAS QUE TRAGAM INOVAÇÃO E TENHAM SIGNIFICADO

— Habilitar o usuário a CRIAR os emoticons?

— NÃO. SANDOVAL, DÁ UMA SUGESTÃO AÍ.

— PO COLOCA AÍ UM COELHO GORDO NUMA BICICLETA

coelho

— CARALHO SANDOVAL, TÁ PROMOVIDO

— BELEZA CHEFE

— VAMO BEJA NA BOCA

— ENTÃO VAMO

— DEMORO

— DEMORO ENTÃO

A reunião terminou com os dois besuntados em calda de chocolate, porque calda de caramelo tem gosto de cocô.

 

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Como tirar uma bela foto de churrasco

Fotografias costumavam ser momentos especiais. Posados ou espontâneos, o valor que cada foto do filme tinha era especial. Não se podia dar o luxo de tirar trinta fotos do jantar japonês. Ninguém tirava foto no espelho do banheiro.

Havia aquela apreensão em pegar o álbum no estúdio uma semana depois pra saber se o irmão pentelho da sua namorada havia feito chifres em você na foto do seu casamento.

Não me entenda mal, eu não sou defensor “dos velhos tempos”. É muito melhor poder tirar várias fotos pra escolher a melhor do que esperar uma semana pra ver que tudo saiu cagado.

O problema é que, com a “banalização” das fotografias, o sentido de se tirar uma foto mudou. Hoje, me parece que o único motivo que alguém tira uma foto com a desgraça da câmera do celular é pra atualizar o combo facebook, instagram e twitter.

Não se tira mais foto pra “imortalizar o momento”, pra guardar lembrança, pra tornar especial a presença daquelas pessoas naquele lugar. Hoje, se tira foto pra esfregar na cara dos outros que você saiu de casa e eles não. Se tira foto pra receber um dedão pra cima no facebook.

Então, como é impossível lutar contra a corrente, vamos ensinar você a tirar a melhor foto de churrasco.

Não precisa ser só churras, pode ser balada também. As regras se aplicam da mesma forma.
Não precisa ser só churras, pode ser balada também. As regras se aplicam da mesma forma.

O fenômeno conhecido como “fotos de churrasco” é a forma mais comum de você fazer as pessoas pensarem “nossa, eles estão numa festa fodona e eu tô aqui no computador… eles é que estão felizes e eu que tenho uma merda de vida”. Ou seja, pra quem vai na festa, o importante é fazer com que quem não foi se sentir mal. Simples assim. Quer aprender como se faz?

Papel, caneta e lata de cerveja de pedreiro na mão e vamos tomar nota.

Você vai precisar:

– Um churras top só pra diretoria com evento no face criado e convite antecipado vendido antes em imagem tosca compartilhada no facebook;
– As mesmas pessoas que estão em todas as festas;
– Uns maluco sem camisa e óculos oakley segurando cerveja;
– Uma piscina;
– Álcool suficiente pra sustentar a frota brasileira de automóveis por dez anos;

Antes de qualquer coisa: pegue a câmera mais fudida à sua disposição. Tem uma câmera de celular? Ótimo! Agora passe esse dedo seboso na frente da lente. Isso vai criar um efeito desfocado que é muito importante para o resultado final.

O próximo passo é planejar um antes-e-depois. Sabe as bebidas que vocês pagaram caro pra cacete pra ter? Organize isso de forma a destacar a quantidade absurda de embalagens. Agora vem os toques mágicos.

Se há uma quantidade significativa de latas de cerveja, coloque um suporte na fileira de trás de modo a “simular” que as latas de trás estão em cima de outras latas. Isso praticamente duplica a quantidade de latas disponíveis.

Se, por outro lado, vocês são pessoas sofisticadas e preferem destilados, faça o seguinte: na foto, tire as garrafas de dentro das embalagens e as posicione na frente. As embalagens vazias ficam atrás, pra dar a impressão de que, além das garrafas abertas, existe mais bebida dentro da embalagem.

Ou senão, seja criativo.

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É tudo sobre marketing.

Com o antes pronto, vamos pensar em depois. Aqui não há segredo: pegue tudo o que sobrou inteiro (latas, garrafas, barris de vinho) e organize em um só lugar. Mesmo que 84% dessas latas estejam cheias de cerveja quente que neguinho desistiu de tomar, ninguém vai saber na foto. Só não cometa o erro de deixar à mostra garrafas cheias. Garrafa cheia significa festa ruim né!!

kkk foi 10 caixa de litrão igual agua kkkkkkk
kkk foi 10 caixa de litrão igual agua kkkkkkk

Fotos tiradas, vamos para o próximo passo: o povo. Essa é a parte simples. Se atente às três regras da foto de churrasco:

– Fotos sempre com duas ou mais pessoas:
Aumentam as chances de pessoas comentarem, curtirem ou compartilharem sua foto, aumentando as visualizações.

– Todo mundo segurando copo
Mostra que todos vocês são pessoas descoladas e desafiam o comportamento padrão imposto pela sociedade opressora.

– É encorajada a presença de pessoas sem camisa de óculos escuros.
Porque mulher fala que homem no facebook é tarado mas não resistem a um cara com mais fendas no abdome que o Grand Canyon sem comentar “nossa meu paiiiii kkkk”.

Tudo num lugar só
Tudo num lugar só, menos o homem sem camisa porque isso aqui é de família

Os óculos escuros são pra proteger de raios UV que fazem mal à saúde – e talvez essa seja a única dica de verdade do post.

Agora chega a hora da verdade: a foto oficial do churras. Aquela que vai pro face. Aquela que todo mundo vai compartilhar, marcar, comentar. É a foto oficial do time da final da Copa do Mundo. É a foto que todo mundo que não foi vai ver e ficar com inveja.

Atenção: muita atenção. Em um ponto do churras, todo mundo tá naquele ponto em que o álcool começou a fazer efeito mas não deixou ninguém se cagando ainda. É a hora que todo mundo se ama.

Junte o máximo de pessoas que puder. Juntou? Ótimo. Vamos ao passo a passo:

Coloque pessoas que não se dão bem lado a lado.

Isso vai fazer com que conhecidos mandem links uns pros outros e comentem sua foto, o que é exatamente o que você quer fazer ao colocar uma foto no facebook.

— Nossaaaa olha isso!!! *link*
— Meninaaa como a Mari é falsa!! Outro dia ela tava falando super mal da Brunaaaa!!
— Cê acredita??? Acha!!!!

Faça a piscina aparecer na foto.

Estamos em agosto. Não importa se você tenha a resistência física de um esquimó, agosto não é mês pra se pular em piscina. “Ah mas ela é aquecida” – aquecida é como vai ficar sua cara se você não me ouvir, seu maldito.

Mas, como eu disse, é tudo sobre marketing. Ter uma piscina em casa é como ter um iPhone: grande parte da população mundial se dá bem perfeitamente sem, mas todo mundo quer ter.

Ter uma piscina por perto aumenta as chances de quem ver a foto pensar “uau, eles estão num lugar espetacular e eu tô aqui no computador, que bosta de vida” – que é exatamente a reação que você quer causar com a sua foto de churrasco, lembra?

Esconda os feios.

Ninguém quer abrir o facebook no domingo de manhã pra ver que seu churras tinha mais gente feia que metrô na hora do rush. Povo quer ver beleza, quer ver gostosa, quer ver bombado. Então faça esse favor de colocar os feios atrás e, de preferência, usar as pessoas bonitas para tampá-los.

Pra quem é feio, só um rosto aparecendo nessa foto já são quinze segundos de fama. Se possível, faça os bonitos erguerem suas latas de cerveja em comemoração a algo, de forma a tampar “acidentalmente” os quinze segundos de fama daquele cara escroto que trabalha contigo e tu só chamou porque ele descobriu o churras pelo facebook.

Agora, se você faz churrasco e só chama homem, não tire foto.

Todo mundo é feliz.

Nem todo mundo reage da mesma forma ao álcool. Sim, a primeira reação dele no organismo é de euforia, pois ele bloqueia a área do cérebro responsável pela inibição, timidez, vergonha. Só que daí em diante é um trem descarrilado: um copo além do limite e você passa de alegria da festa a festa na privada.

Bêbados vomitam, falam enrnolllaaaddo, ligam para a ex-namorada aos prantos, ficam violentos, arrumam briga, ficam em coma… mas nada disso vai afetar a sua foto de churras. Não importa a condição que o peão está: ele tem que fazer aquela cara de formatura de quinze anos pra não estragar a foto.

Nessa hora não há tristeza. A casa está pegando fogo, seu amigo foi baleado, alguém comeu sua namorada e trancaram seu cachorro dentro da caixa de gelo? Não importa: tá todo mundo feliz de estar aqui.

Último passo: divulgação.

Quantas fotos cabem no cartão da sua câmera? Duzentas e oitenta e quatro? Não perca tempo reduzindo tamanho, ajustando formato. Escolher as melhores? Pffff são todas boas. Crie um álbum no facebook e jogue TODAS DE UMA VEZ. Não importa que demore dois anos pra completar o envio: você fez a sua parte.

Marque todas as pessoas possíveis, assim elas obrigatoriamente saberão sobre suas fotos. Observe os comentários pulando como pipoca e use-os para fazer propaganda de si mesmo. Se você for mulher, retorne todos os elogios com “você que é, Flor!!”.

Tudo pronto! Você pode esfregar na cara de todo mundo que não estava na festa que sua vida é completa e que você é uma pessoa feliz e que não liga pro que os outros pensam.

No próximo post, vamos saber como mostrar pra todo mundo que você tá feliz solteiro(a) e que você superou o último pé na bunda compartilhando imagens da “lei do desapego”.

Até lá!

O Efeito Craig

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Em minhas muitas viagens pelo mundo, muitas vezes encontrei respostas a perguntas que jamais fiz. Porém, nunca me foi revelada a verdade fundamental por trás do desastre dinossáurico que é minha vida sentimental.

Em outras palavras, até hoje eu nunca havia encontrado a desculpa perfeita para negar o fato de que, um dia, serei encontrado morto em meu apartamento, sozinho, em meio a videogames e sendo devorado por meus gatos.

Ingênuo sou eu pensando que este problema pode ser explicado por análises psicológicas, factuais ou fazendo lobotomia em minhas ex-namoradas. Ledo engano. Eu precisei abrir minha mente para aceitar que havia uma influência maior em minha vida, algo que fosse etéreo, sobrenatural.

Foi então que descobri o Efeito Craig – ou, para uma aproximação mais dramática, the Craig Effect.

E se sua vida sentimental fosse diretamente influenciada pela carreira de um dos maiores nomes do cinema da atualidade? Pois é exatamente isso que acontece com o Efeito Craig.

Daniel Craig é um ator inglês de 45 anos. A partir de 2006, Craig é conhecido por ser o sexto ator a interpretar o agente secreto 007: Bond, James Bond – o agente secreto mais conhecido do mundo. O que não é exatamente o título que um agente secreto desejaria ter.

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Não que Daniel Craig seja o ator mais famoso, ou mesmo o mais bonito. Desde que Daniel Craig se tornou James Bond, minha vida amorosa tem sido uma batida de trens. Não que tenha sido melhor antes de Craig, mas piorou consideravelmente depois do inglês bicudo.

Em 2006, quando Casino Royale chegou aos cinemas, o primeiro filme com Craig como Bond, eu namorava uma guria chamada Ana Paula. Em 2008, quando Quantum of Solace saiu na telona, eu estava começando meu namoro com a Pâmela. O último filme, Skyfall, estreou no fim de 2012 e eu namorava a Gabriela.

Ou seja, cada filme que Daniel Craig fizer como James Bond, me forçará a estar com uma mulher diferente. Essa é a parte boa. Porém, o Efeito Craig não apenas determina o que vai acontecer na minha vida amorosa: ele passou a ditar quão longo vai ser o relacionamento.

Quanto mais filmes Daniel Craig fizer como James Bond, menos meus relacionamentos vão durar: o primeiro namoro durou quatro anos. O segundo, pouco mais de três anos. Já o terceiro durou menos de três meses.

Segundo o Efeito Craig, meu próximo relacionamento deverá acontecer em algum ponto entre 2015 e 2016 e irá durar cerca de DUAS HORAS. Provavelmente acontecerá assim:

— Eu te amo! Quer ser minha namorada?
— Eu adoraria ser sua namorada porque eu te amo também!!
— Uau! Estou tão feliz que vou ali comprar um buquê de flores e uma champagne para comemorarmos!!!
— OK!!

— Amor, cheguei!!!
— A gente acaba aqui. Eu te odeio, seu escroto.

Tendo dito isso, eu tenho duas opções:

Opção 1: quebrar o Efeito Craig ao namorar alguém por tempo suficiente para cobrir dois filmes de James Bond – isso torcendo para que Daniel Craig continue sendo o agente secreto. Caso ele faça apenas mais um filme e morra misteriosamente durante as filmagens do segundo, eu ficarei sozinho para sempre.

Opção 2: quebrar as pernas de Daniel Craig continuamente durante as filmagens do próximo filme. Assim, o filme demora para ficar pronto e eu aproveito meu namoro tranquilamente. No momento em que as filmagens são retomadas, eu quebro novamente as pernas do inglês bicudo e assim vai até eu morrer por causa do alto colesterol contido no Doritos.

Estou pronto. Sua jogada, Craig.

Brevemente sobre Power Rangers, Pasta de Dente e as Cabeças de Pedra na Ilha de Páscoa

É engraçado como algo pequeno te faz mudar a percepção de algumas coisas.

Hoje pela manhã fui escovar os dentes. Todo mundo faz isso. No armário, haviam dois tubos de pasta de dentes, cada um de uma marca. Por engano, ou por ainda estar dormindo em pé, acabei abrindo os dois tubos antes mesmo de pegar a escova.

Ao me tocar do erro, dei um sorriso de canto de boca e então descobri que não era mais criança.

Descobri que a tampa de uma marca de pasta de dente não serve no tubo da outra. O tamanho da rosca não é a mesma, não são compatíveis. A tampa do tubo de pasta de dente é exclusivo daquele tubo de pasta de dente.

A pasta de marca Y não me deixa escolher como vou tampar meu tubo de pasta. É como se dissessem “a tampa é esta e você vai usar apenas esta”. Segundo eles, é mais fácil eu usar silver tape do que usar uma outra tampa de pasta de dente. Isso não vem escrito na caixa.

Não mais o tenho direito de escolher o que quero fazer com o que compro.

É como não poder trocar os cordões de dois tênis diferentes. Podem ser idênticos em conceito, utilidade e aparência – mas não poder usar um cadarço Nike no meu Adidas.

Ou ainda, dizer que é proibido misturar peças de coleções diferentes de Lego. Fazê-las incompatíveis. Não poderia misturar meu Lego Castelo com meu Lego Velho-Oeste, ou com o Lego Carrinho de Bombeiro. Cavalo bombeiro? Não. Príncipe Caubói? Não.

Deixei de ser criança quando comecei a calcular a logística envolvida nos Megazords dos Power Rangers.

Porque eles não utilizavam os Zords logo no começo, quando o bicho era pequeno?” – A conclusão é que devia ser muito, muito caro manter um Megazord. Um robô de trinta metros de altura deve consumir mais que um Opala desregulado. Eles só utilizariam em último caso, se extremamente necessário.

Se os Power Rangers mantinham segredo total sobre sua identidade, quem fazia despesa no Centro de Comando? Quem fazia faxina? Quem pagava a conta de luz?

Será que os Power Rangers tinham papelada pra preencher? Plano de metas? Controle de danos? Na ponta do lápis, era mais conveniente deixar o monstro – ainda nanico –  aterrorizar a Alameda dos Anjos do que ter que destruir meia cidade a bordo de robôs gigantes.

De onde saía tanta faísca? Porque a grama explodia?

Começar a olhar pra trás com os olhos de adulto é a pior revelação que alguém pode ter. Ou se deixa de olhar pra trás, ou se deixa deixar de ser criança.

A verdade é que já deixei de ser criança quando me dei conta de que nunca vou deixar de ser criança.

Eu arrumo cama de motel

Sabe, em sete anos de blog (só eu acho isso impressionante?) dediquei grandes esforços pra destruir qualquer tipo de reputação que eu possa ter. Já declarei que não sei estacionar, que comia miojo com palito de churrasco pra fingir que era japonês, que apanhei de um gordo na escola e no último post eu disse que me vestia como um bóia fria.

Acredito que essa seja o crème de la crème, o ápice. A partir daqui, mesmo se eu disser que costumo encenar cenas de filmes melosos com bonecas, você vai achar sensacional. Comparado a isso, mijar na cama até os 13 anos é uma conquista.

Uma das grandes ilusões que crescemos acreditando é de que todas as pessoas são únicas e especiais. Grande besteira. Já pensou se existissem sete bilhões de opiniões únicas sobre um mesmo tema? Teríamos sete bilhões de religiões no mundo.

Algumas coisas, no entanto, nos tornam realmente únicos. Coisas como a que vou contar a vocês agora.

Eu arrumo cama de motel. 

OH MY GOD YOU DIDN'T

Já disse isso várias e várias vezes, pra dezenas de pessoas diferentes, em ocasiões diferentes. Em todas elas, a reação foi a mesma. Para ilustrar o tamanho da indignação que tal notícia foi recebida, elaborei a ESCALA DA INDIGNAÇÃO, que mede o quão pavorosa é uma certa situação.

Ah, o post continua depois da imagem gigantesca.

FICA MAIOR SE VC PASSAR A MAO!!!E113
FICA MAIOR SE VC PASSAR A MAO!!!E113

A cara de horror das pessoas que ouvem isso é impagável. É uma mistura de incredulidade com nojo, algo difícil de explicar com palavras. É mais ou menos a cara que você faz quando tua vó Lourdes te coloca pra dançar com a sua prima gorda do Mato Grosso.

Mas, sinceramente, não entendo tamanha surpresa. Na minha cabeça faz todo o sentido.

Como a maioria das pessoas que lê meu blog tem 15 anos ou menos, ou o equivalente sexual de um menor de idade, deixe-me explicar o que é um quarto de motel.

Quarto de motel é como banheiro de rodoviária: você só usa quando precisa, tenta não imaginar o que outras pessoas fizeram ali antes de você e você quer sair de lá o mais rápido possível depois de fazer o que veio fazer. Não é um lugar pra se FICAR. Você não chama os amigos pra curtir uma cabine de banheiro de rodoviária, assim como você não toma uma com os caras numa suíte de motel.

Então você o usa. Depois de violar todos os pecados capitais em horas de louca, selvagem e incansável paixão, o quarto provavelmente se parece com um cativeiro de macacos selvagens insandecidos.

O procedimento padrão diz que, quando você libera o quarto, o pessoal da recepção manda uma tiazinha de boa índole pra ver se o quarto está em condições aceitáveis, se alguma coisa foi consumida ou se você sacrificou um bode num ritual satânico e banhou o lugar inteiro em sangue e pecado.

Enquanto as tiazinhas da limpeza checam o quarto, você é obrigado a ficar parado na recepção do lugar, sendo sujeito a olhares de “eu sei o que você acabou de fazer”.

Eu sei o que você fez poucos minutos atrás.
Eu sei o que você fez poucos minutos atrás.

Aí é que a coisa fica cabeluda. Na maior parte das vezes, as tiazinhas da limpeza apenas entram no quarto e certificam-se que o quarto esta lá. Pra elas é o suficiente. Dois minutos e você esta liberado.

O problema de verdade é quando, no lugar da tiazinha facilmente satisfeita, os caras enviam uma PORRA DE UMA EQUIPE DO CSI.

Cada milímetro do lugar e vasculhado por olhos analíticos treinados. Toda superfície do lugar é varrida com luz negra, todas as digitais são colhidas, qualquer vestígio de material genético é analisado e arquivado. Seguranças fardados cercam o lugar, fitas zebradas isolam a cena do crime, ninguém entra, ninguém sai – nem você.

Obrigado a esperar o resultado de uma investigação criminalística, você fica sendo alvo de olhares e tentando ter uma conversa com sua companhia – provavelmente sobre qualquer assunto senão o que vocês acabaram de fazer.

— Então…
— é…
— Será que chove?
— É, tá com cara…
— É…
— É…
— E o Curintia?

Eu detesto esperar, portanto eu arrumo, sim, cama de motel.

Não, não é preocupado com a organização do lugar. Também não é nenhum tipo de TOC ou mania de arrumação, muito menos qualquer comportamento coxinha. Sim, estou ciente de que cada centímetro quadrado dali é trocado, sendo usado ou não.

Eu arrumo cama de motel apenas pra sair dali o mais rápido possível, e vou explicar por quê.

Pra me explicar melhor, pemita-me fazer uma pequena comparação. Em um campo de futebol, o mais importante são as traves. Em uma piscina, o mais importante é a água.

Em quarto de motel, o mais importante é a cama. Em minhas experiências pela vida, aprendi que você pode promover o mais absoluto caos do universo, contanto que a cama esteja arrumada, seu quarto estará liberado em segundos.

AH MAS QUE BAGUNÇA, TRAZ A VASSOURA LÁ
AH MAS QUE BAGUNÇA, TRAZ A VASSOURA LÁ

Sério. Você pode estripar um bezerro, esfregar fezes humanas em todas as paredes e ocupar o box do banheiro com uma pequena criação de lesmas africanas carnívoras. Aprendam isso: se o lençol da cama está esticado, o resto pouco importa.

Não, eu nunca fiz nada disso. Ainda.

Pode começar a me zoar.

“Curte meu celular, ele curva o espaço-tempo”

Se tem um conselho que eu sempre dou é: se for pra ter um celular, tenha um bom celular.

Veja, celulares são exatamente como carros. Existem os carros caros demais, que você jamais vai poder comprar; existem os carros mais baratos e completamente confiáveis; existem os carros populares, que você provavelmente dirige, existem as carruagens do século 18… e abaixo de tudo que possui rodas e é capaz de se locomover, inclusive aqueles monociclos de palhaço, existem os carros chineses.

Ainda é melhor que um carro chinês

A diferença entre cada uma dessas categorias é o que cada um dos carros é capaz de fazer. Os carros caríssimos prometem (e cumprem) romper a barreira do som em menos tempo que você leva para socar uma criança. Os carros populares e confiáveis não fazem nem perto disso, mas também não prometem.

Os carros chineses, no entanto, prometem fazer tudo o que todos os outros carros fazem, possuir tudo o que os outros carros possuem. A diferença é que tudo sai por menos da metade do preço, e nunca deixa de ser um produto de merda.

Com celulares, a mesma coisa. Existem os iPhones, acima do bem e do mal (você os ama, você os odeia, mas adoraria ter um); existem os Androids caros, os acessíveis, os baratos, os populares. Existem até aqueles modelos que pesam cerca de dois quilos e seu pai teimava em carregar na cintura.

E abaixo de tudo isso, inclusive dos telefones de lata e corda, temos os celulares chineses.

Pra começo de conversa, o nome. Todo celular chinês é descrito como MPX, onde X é um número de um ou dois algarismos que “simbolizam” o que o celular é capaz de fazer.

Acompanhe: essa desgraça começou nos Mp3, que rodavam Mp3, arquivos de música. Depois, tivemos os Mp4, que rodavam arquivos de vídeo (formato Mp4 ou .3GP). Daí em diante, cada nova função do celular era um número a mais em sua descrição. Última vez que vi, estávamos no MP35 – o que seria um celular com 35 “funções diferentes”.

Mas veja bem: o iPhone é como uma Ferrari Enzo. Se todo carro sonha em ser uma Ferrari Enzo, todos os celulares querem ser um iPhone. Pra isso, teriam que oferecer tudo o que um iPhone tem, fazer o que ele faz e, principalmente, ter a qualidade que um iPhone tem. Uma Ferrari Enzo não custa caro à toa, assim como um iPhone não custa caro à toa.

Aí chegam os celulares chineses, aqueles MP35 que falei mais cedo.

OLHA MEU CELULAR KRA EH UM MP35 ELE TEM GPS BLUTU TELA TOTSCRIN E SE LIGA NESSE SOM

Os celulares chineses são como carros feitos no quintal de casa, por mãos de crianças chinesas, que recebem um pão a cada semana de trabalho incessante. Quando prontos, prometem tudo o que uma um celular de verdade faz, só que por apenas dez por cento do valor.

Sabe o que acontece quando tu compra um celular chinês? Com o celular, nada. Contigo, o arrependimento vem como uma avalanche quando percebe que ele realmente oferece tudo o que promete, mas tudo é de qualidade sofrível.

Se o iPhone (ou qualquer celular) não enfia “35 funções” em um aparelho e o vende a menos de 100 reais, significa que fazer isso é uma merda. Os chineses fazem isso, fazem propaganda de que isso é sensacional e os idiotas compram – e acreditam que fizeram o melhor negócio de todos os tempos.

O mais legal é que todo mundo que compra um desses PRECISA fazer propaganda. É como se uma entidade marqueteira tomasse conta, convencendo todos ao redor de que o produto “é de qualidade mesmo que os outros pensem ao contrário”. Nada mais é do que uma tentativa desesperada de dizer “calma gente, eu sei que o celular é pura tranqueira, mas veja pelo lado bom, agora eu posso ver televisão no ônibus”.

Colocar oitenta “funções” num celular tá longe de ser algo bom. É mais ou menos como tu pegar a ceia de Natal de uma família italiana, com trinta deliciosos pratos, bater no liquidificador e servir como vitamina. Tecnicamente, estão todos os pratos ali, e todos num só lugar, mas você gostaria de tomar isso? Não.

Meu chefe comprou um desses mp35 a dois meses. Saiu espalhando que era um negócio espetacular, um celular com quatro chips, pega rádio, televisão, duas câmeras, capta sinais de vida extraterrestre, curva o espaço tempo e muito mais, tudo num lugar só.

Aí depois de dois meses usando o celular, acontece algo como isso:

A bateria engordou. A bateria do celular sensacional que ele comprou, o melhor negócio do século, resolveu colocar o regime de lado e cair na feijoada no fim de semana.

Baterias expandindo não são fenômeno raro, mas mesmo assim é um bagulho perturbador. Nem tanto quanto aquelas baterias que esquentam horrores e queimam teu bolso, mas ainda sim é algo escroto.

Dá pra reparar ali que o bagulho tava pronto pra explodir na orelha de alguém.

***

Falando sobre carros ou celulares, qualidade tem preço, e sempre vale a pena pagar um pouco mais em algo bom e confiável. Eu pago caro por um celular que não tem televisão, não tem quatro chips, mal funciona o bluetooth, mas estou plenamente satisfeito e feliz com minha compra.

Prefiro usar meu velho N95 todo quebrado e que esquenta a orelha do que comprar um celular xing-ling que promete fazer o mundo, mas acaba sendo pior que um sapato em questão tecnológica.

E você aí, compraria um celular chinês?

Ainda sobre aquele meu primo que entende de Corel Dráu

Lembra sobre aquele post sobre um primo meu que manja tudo de Corel dráu e fotoshop? Então.

Às vezes eu fico na dúvida sobre o que é mais perigoso:

a) uma metralhadora carregada nas mão de um macaco furioso;
b) uma ogiva nuclear nas mãos de um ditador iraniano megalomaníaco;
c) um universitário bêbado dirigindo o carro do pai na madrugada paulistana;
d) uma quina de mesa de centro, esperando seu dedinho ir de encontro a ela durante a madrugada;
e) uma nuvem de AIDS;

Depois de muita discussão, pesquisa e salgadinhos, pesquisadores da universidade de Cambridge do Norte, no Mato Grosso, descobriram que a resposta certa para esta pergunta tão fundamental para a manutenção da vida no planeta não está entre as alternativas.

A coisa mais perigosa do mundo, segundo essa equipe tão capacitada, é o Corel Draw nas mãos de dezainers. Sim, os mesmos dezainers que discutimos antes.

DÁ UM GRAU, NEGO:

GAHHHHH SAI DAQUI MANO

Eu não sei sequer por onde começar a descrever esta porcaria. Se é o fundo com preços, se são os balões com pequenas fotos idênticas dos produtos, a fonte usada pra tudo, o contorno em branco obviamente exagerado no endereço… Não, somente com os olhos não podemos definir o que estamos vendo.

Precisamos de um método.

Já sei: vamos analisar aquela imagem de acordo com aquela listagem que classifica os DEZAINERS do post anterior. Em negrito, o que está presente na imagem:

  • Uso EXCESSIVO de efeitos como sombras e bordas;
  • Nenhum espaço da imagem está livre de alguma coisa;
  • Fontes, muitas fontes. Todas as frases precisam estar em uma fonte diferente.
  • Uso de Futura, Arial ou Arial Black em QUALQUER circunstância.
  • Cores, muitas cores. Tom? Roda de cores? Escalas? Meu pau! Rosa com verde, amarelo com ciano, tá valendo tudo!
  • Nenhuma atenção a iluminação.
  • Gradiente? Ah sim, tem uma televisão 20? dessa lá em casa;
  • O NOME do INFELIZ na porra da imagem acompanhado de créditos, do tipo DESIGNER VITINHO®

Oh, que surpresa! A imagem possui TODOS os requisitos pra ser MADE BY DEZAINER®, menos o crédito do infeliz que a criou. Sabe o que isso significa?

Significa que este lindo banner é uma obra de DESIGN SENSACIONAL, feita por mãos hábeis e que claramente sabem o que estão fazendo. Cada ponto desta imagem indescritível possui significado, dando uma constância fundamental pra que todo o conjunto elaborado se torne cada vez mais crocante e fidedigno.