Sobre as figurinhas do chat do Facebook

REUNIÃO NO QUARTEL GENERAL DO FACEBOOK

— Seguinte pessoal, a gente precisa inventar umas coisas novas pra deixar o chat mais interessante, mais dinâmico.

— A gente podia colocar uns emoticons novos…

— NÃO. A GENTE PRECISA DE COISAS QUE TRAGAM INOVAÇÃO E TENHAM SIGNIFICADO

— Habilitar o usuário a CRIAR os emoticons?

— NÃO. SANDOVAL, DÁ UMA SUGESTÃO AÍ.

— PO COLOCA AÍ UM COELHO GORDO NUMA BICICLETA

coelho

— CARALHO SANDOVAL, TÁ PROMOVIDO

— BELEZA CHEFE

— VAMO BEJA NA BOCA

— ENTÃO VAMO

— DEMORO

— DEMORO ENTÃO

A reunião terminou com os dois besuntados em calda de chocolate, porque calda de caramelo tem gosto de cocô.

 

Fale com o motorista apenas o necessário

Se um dia você tiver o prazer de conhecer este humilde blogueiro pessoalmente, vai perceber muitas coisas. Primeiro, eu sou cheiroso. Segundo, que eu me visto muito mal, por displicência e por falta de vontade de adquirir novas roupas. Terceiro, que eu irritantemente quieto a maioria do tempo.

Não sou aquele quieto freak, que fica no canto da festa julgando todos vocês por minúsculos detalhes. Isso eu também faço, mas enfim. Eu sou quieto porque às vezes não vejo necessidade em conversar, ou apenas não me atrai. Muitas vezes prefiro me voltar aos meus raciocínios ao invés de ficar dando risada a toa sobre qualquer coisa, só pra parecer sociável.

Isso fica evidente em um lugar em especial: o barbeiro.

CONFESSA KUAKUA VC NAO ESPERAVA POR ESTA PIADA

Veja, há 3 anos eu corto o cabelo no mesmo lugar, religiosamente frequentado a cada dois meses. Não pela qualidade do serviço, pelo ambiente ou pelo charme do atendente, mas pela comodidade: a menos de duas quadras de minha casa. É um lugar deveras modesto, de pouco mais de vinte metros quadrados, frequentado apenas por homens.

O que? Você corta o cabelo em um… “cabeleireiro”? É, meu amigo. Eu tenho uma coisa a falar sobre seus conceitos e você pode não gostar muito. Homem corta cabelo em barbeiro, quem corta em cabeleireiro é colírio.

Neste lugar, bancos de cimento confortam nossos traseiros enquanto nos deleitamos com revistas de anos atrás. Você pode pensar “bah, mas que lixo”, mas é sempre interessante ler uma Veja de dez anos atrás e ver o que era esperado e não aconteceu – é praticamente como viajar ao passado sabendo tudo o que acontece no futuro. Não existe luxo, porque homens de verdade não precisam de luxo.

O salão tem a comodidade de se encontrar a menos de 30 metros de um bar. Fila de espera muito grande? Levante-se, compre latas de cerveja para todos no ambiente e espere sua vez degustando o néctar sagrado.

No banheiro não há porta, porque para um local cheio de homens ela não é necessária. Homens têm um código de conduta a respeito de liberação de excretas. Homens mijam na rua a dez mil anos e nunca precisaram de portas. Homens sabem quando o banheiro está ocupado, e respeitam a distância. Não existe pia, as mãos são lavadas (quando são) no mesmo lugar onde se lavam os cabelos dos clientes. Nojento? Não. Homens sabem que um pouco d’água lava qualquer coisa.

Mas o atrativo do lugar é a conversa. Quando homens se reúnem, sempre existe conversa, sobre vários assuntos. Pescaria, cerveja, mulheres, situação econômica, esportes ou ainda a televisão ligada em qualquer noticiário – tudo é motivo para prosa. E é aí que o problema começa, pelo menos para mim.

Caso você tenha vivido numa caverna escura nos últimos duzentos anos, existe um provérbio popular em especial que, de tanto ser repetido em placas quase não notadas mundo afora, se tornou uma verdade universal.

Sabe porque essa frase existe? No século 18, um fazendeiro búlgaro chamado Histo’e Mentchyra guiava sua carroça carregando seus doze filhos até a cidade. Como sua casa ficava nas colinas, todos os dias ele tinha que descer até o vale para buscar leite e levar suas crianças até a escola. Era um dia chuvoso quando, à beira da estrada, Histo’e Mentchyra encontrou um camponês polonês perdido e cansado. Disposto a ajudar, o colocou em sua carroça, já superlotada de crianças, e foi em direção à cidade.

O problema é que o polonês era muito comunicativo. Em menos de meia hora, o camponês polonês já tinha feito mais perguntas ao fazendeiro do que era necessário. Histo’e Mentchyra sempre foi um homem muito concentrado, introspectivo, não gostava de conversar. Vendo que o camponês polonês não se contentava com o silêncio, sempre querendo saber mais e mais de sua vida, resolveu conversar com o rapaz. Distraído pelas perguntas, o fazendeiro tomou a curva errada na estrada e, por estar ocupado em responder as perguntas do camponês polonês, não viu o momento em que sua carroça caiu em um desfiladeiro sem fim, onde seus corpos foram consumidos por um dragão das trevas que cuspia lava maligna.

Desde então, essa frase se encontra em todos os meios de transporte público do mundo, para evitar que, ao conversar, o motorista se distraia e dirija o ônibus dentro de um… desfiladeiro… ahn… ok, tudo bem, eu posso ter ido longe demais com a brincadeira, mas você entendeu.

Eu não posso me sentir culpado em não gostar quando alguém manipula tesouras afiadas e navalhas a poucos centímetros do meu cérebro. Talvez seja o único órgão do meu corpo que seja avantajado em relação a outras pessoas, e eu pretendo mantê-lo funcionando por muito tempo. E se enquanto ele se concentra em conversar comigo, se distrai com a tesoura e me deixa com a porra do cabelo do Neymar? Caralho!

Não importa quanta prática ele tenha, não importa o quão mecânico qualquer trabalho se torna depois de quinze anos de experiência: conversar durante o trabalho causa distração, e distração atrai erros. Eu imagino um neurocirurgião retirando um tumor do cérebro de uma criança de cinco anos, quando o instrumentista cirúrgico começa a falar do meio-campo do Curintia. Um corte errado e o cirurgião transforma uma criança feliz em uma cenoura.

Se conversar durante o trabalho fosse coisa boa, em todo controle de tráfego de aeroporto teríamos Carlos Casagrande comentando as jogadas aéreas. 

– Vôo 134CU, reduza a 5 mil pés e dirija-se à pista dois, copiou?

 

HÃÃÃÃÃNNNNNN COM CERTEZA

A mesma coisa com o meu cabelo. Cara, meu cabelo já tá no fim, já é difícil de domar o bagulho. Aí eu tenho que viver na ponta da faca, esperando que meu barbeiro faça o serviço direito e me deixe menos constrangido de mostrar essa penugem sem graça ao mundo. Se ele errar, são DOIS MESES tentando esconder a merda que ele fez.

Fica quieto enquanto corta meu cabelo, porra. É pedir demais?

Crônica insone

Não bastasse ter ficado 17 horas seguidas sentado na frente de um computador a trabalho, coisa que não fazia desde, sei lá, a revolução russa, eu dormi tarde e mal pra caralho.

Mesmo assim, tive esse sonho esquisito.

Eu sei que estava no banheiro, discutindo com Hugo Chávez sobre as riquezas culturais do Brasil. Ele tentava me convencer, com ótimo portuñol, que a literatura venezuelana batia por muito a herança cultural brasileira.

Eu defendia o orgulho da terra tupiniquim dizendo que nossos poetas e escritores eram reconhecidos mundialmente.

Chávez era contrário. Dizia com toda a arrogância bolivariana que a Venezuela produzia os melhores romances.

Eu terminei a discussão afirmando que Machado de Assis era muito maior que Shakespeare.

O que é engraçado é que eu sou tão bucetão que, mesmo nunca tendo lido Machado de Assis, muito menos Shakespeare, ainda quis argumentar sobre a relevância dos dois.

E pior, ainda comparando escritores incomparáveis. Tudo isso pelo belo prazer de provocar o outro contrário.

Que argumento Hugo Chávez teria contra mim? Nenhum.

Eu nunca li Quincas Borba. Chávez nunca leu Dom Casmurro.

Eu nunca sonhei em trollar Hugo Chavez. Mas acabei trollando Hugo Chávez num sonho.

Toda essa discussão aconteceu no meu banheiro. Hugo Chávez estava no meu banheiro, discutindo literatura.

Eu estava escovando os dentes.

Homenagem do OJ ao dia dos negão

RACIONAIS MCS E RICKY MARTIN FAZEM PARCERIA

O grupo de rap paulistano Racionais MC’s fez uma parceria com o cantor porto-riquenho Ricky Martin, para compor a tão esperada parte final da saga “Vida Loka”. “Livin’ la Vida Loka” é resultado da fusão do rap de protesto do grupo liderado por Mano Brown com o suíngue da pelvis latina do ex-menudo Ricky Martin.

Ainda em produção, um pequeno preview da letra pode ser encontrada aqui:

Racionais feat. Ricky Martin

RACIONAIS MCS CHEGANDO
TAMO JUNTO AÍ
MANO BROWN RIMANDO A REALIDADE
IRMÃO É NÓIS
CHEGANDO NOS QUATRO CANTO DA FAVELA
É NOIS MUITA COLETIVIDADE
DÁ MEU COPO E JA ERA

OS MANO SÃO FIRMEZA
MALUCO SANGUE BOM
AS TRETA TAVA ARMADA
AS MINA CAGUETARAM
CHEGA OS BANG NA QUEBRADA
– QUEM É QUE FOI
– FOI NADA
PASSA RETO VACILÃO
AS MINA TUDO QUIETA
SUBI ENTÃO
NA MINHA BICICLETA

MANO RICKY NA QUEBRADA
FAZENDO AS RIMA FORTE
– É NOIS QUALQUER PARADA

UPSIDE INSIDE OUT
SHE’S LIVING LA VIDA LOKA
SHE’LL PUSH AND PULL YOU DOWN
LIVING LA VIDA LOKA

DE CABEÇA PRA BAIXO E
DE BAIXO PRA CIMA
MANO PAI DE FAMILIA,
NOS MOLEQUE GENTE FINA
TRABALHA O DIA INTEIRO
COMIDA POE NA BOCA,
IA NESSA SEM SABER (PROCÊ VÊ)
VIVENDO A VIDA LOKA

Resenha: Alice no País das Maravilhas do LSD

Desocupados apostólicos romanos, venho através deste TENTAR dissertar sobre uma das coisas mais BIZARRAS que eu já vi na minha vida. Você já deve ter passado por isso e considerado uma coisa trivial, sem importância, comum. Você acha Alice no País das Maravilhas, aquele filme antigo pra cacete da Disney, uma obra infantil fofinha?

Pois eu acho essa porra a coisa mais perturbadora que já vi na minha vida.

Ácido lisérgico. Essas duas palavras ficaram sambando na minha cabeça durante toda a exibição do filme. Nada além de doses fortíssimas de ácido lisérgico (também conhecido como LSD ou ainda Lúcia no Céu com Diamantes em tradução livre, porca, brasileirada pobre decadente) são capazes de produzir uma obra tão… doente.

Sabe quando você se torna tão acostumado à idéia de que está por dentro de um assunto que, mesmo tendo consciência de que você nunca leu NADA a respeito, você se sente familiar com ele? Isso aconteceu comigo durante toda a infância: de tanto ouvir falar sobre Alice no País das Maravilhas, eu me convenci de que já tinha visto o filme. Só que nunca vi.

Se eu sou um cara meio retardado sem ver o filme, agradeço muito à sequência de coincidências que me impediram de assistir essa coisa doentia enquanto criança. Certamente, quando crescesse, seria parte da minha rotina invadir um cinema completamente lotado, armado com rifles automáticos e fazer pessoas trocarem a pipoca por chumbo.

Vamos diferenciar um pouco do esquema problemático a que estamos acostumados neste blog e começar do começo:

Alice no País das Maravilhas é uma das obras mais conhecidas (senão a mais conhecida) do escritor e matemático inglês Lewis Carroll, um dos maiores nomes da literatura infantil do mundo. Pois bem, esta informação nos conclui muito: Lewis Carroll era um matemático que escrevia livros infantis. Certamente um comportamento de usuário de LSD. Comprovei minha teoria.

Como tenho cento e cinquenta por cento de certeza de que você leitor é preguiçoso demais para ler o livro (alguma semelhança entre nós, aye?), o filme foi produzido pela Disney em 1951, se tornando o clássico dos clássicos entre psicopatas e estudantes de sociologia.

Felizmente poucas memórias do filme passam pela minha cabeça no momento. O filme começa com Alice pegando no sono, entrando em uma toca de coelho onde encontra um coelho falante com um relógio gritando

— TO ATRASADO OMG TO ATRASADO TA TARDE ATRASADO RONALDO

Bom, eu vejo um coelho vestido como gente com um relógio gritando que está atrasado. O que vem na minha cabeça? Que ele é um exemplo típico de um pai de família, trabalhador, pagador de impostos e temente a Deus, que só quer estar na reunião das três com o chefe da auditoria daquela empresa alemã que tá na dúvida sobre se o contrato é vantajoso ou não para…

Daí pra frente, tudo vira um redemoinho. É como se você enfiasse a cabeça na privada do banheiro mais sujo de um subúrbio indiano e dado descarga repetidas vezes, sua sanidade é sugada para o vácuo.

Um gato lokodebala que fica invisível, bolos que fazem Alice mudar de tamanho, guardas feitos de baralho. Tudo isso envolto numa atmosfera de “Caralhos, o que tá acontecendo aqui?”.

Alice simplesmente não esboça reação alguma, só continua com seu jeito meigo de

— Nossaaa rsrs que mundo maluco!!!!!

Se fosse eu, no lugar dela, estaria com uma reação parecida:

— CAAAARALHO PUTA QUE PARIU QUE PORRA É ESSA?!?! ESSE COELHO SAI VOANDO DO NADA, GRITANDO QUE TÁ ATRASADO, TUDO AQUI FALA? TOMAR NO CU, QUE MERDA É ESSA DE BOLO?? EU CRESCI, TUDO DIMINUIU? O CACETE! E ESSE GATO? E ESSE GATO1?!?!?! ESSA RAINHA PQP QUE BISCATE DO CARALHO VAI SE FODER SUA ai rs quanta violência.

Na boa, quando eu tiver um filho, vou assinar todos os canais de esporte do planeta. Sou muito mais um campeonato húngaro de porrinha num domingo à tarde do que esses filmes da Disney.

Recomendação do dia: “mensagens subliminares”, nome sensacionalista pra “não tinha nada pra fazer nessa hora e fiquei dobrando notas de dinheiro pra achar coincidências”, sobre a história americana. Clique aqui

E pra quem reparou que o blog está às moscas, uma viso: o fim está próximo.

Onomatopéia virabrequim chupeta

Cacume

CACHIMBO, FUMAÇA

OS RUSSOS ESTÃO CORRENDO!!
OS RUSSOS ESTÃO CORRENDO!!

Está tudo tão maurício, CUIDADO COM O BACON.

ASTROLOGIA CULINÁRIA MENTAL ALCACHOFRA!

Tudo na vida é questão de esquema, NÃO TOME CIANORETO.

Cianoreto mata! Morrer é ruim, morrer é CINZA!

Tudo é acertável
Tudo é acertável
Acertável é tudo
Tudo chulepas gonorrésticas

VAQUINHA
CANTA FELIZ E VIVE CONTENTE

SE NADA É TUDO, EU QUERO TUDO PRA MIM!

BORBOLETA PÉ DE SACI
MACACO PERAMBULANDO

eu quero mais alcachofra
alcachofra
alchacofra
alfracocha
alcrafocha
SOOOOOOOOCIALIIIIISSSSSTTTTTTTAAAAAAAAAAAS

onde já se viu tirar leite de PATA

CHARLIE BRAWNIES SK8BOARD VIBRATION
EU SOU DE SANTOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOS

GIRAFA! GIRAFA!

Cigarra, o animal mais idiota do mundo

Sexta à noite, você chega do trabalho cansado, com os pés do tamanho de uma raquete de tênis e a cabeça explodindo. O que você precisa?

a) Balada;
b) Cerveja;
c) Amigos;
d) Balada com os amigos regada à muita cerveja;
e) Um post fresquinho sobre a vida das cigarras.

Caso você tenha respondido qualquer uma das alternativas senão a letra E, você é uma pessoa comum. Caso contrário, você anda lendo demais este blog.

Imagino que você esteja largadão aí, de pijama e meia, curtindo umas músicas meio broxantes no seu computador, e esteja imaginando “mas eu preciso saber da vida das cigarras?”. Eu te digo que sim, você precisa. Isso fará de você uma pessoa melhor e pesquisas realizadas pelo INPI demonstram claramente que essas informações serão

Pra começo de conversa: cigarras são legais. Você só precisa abrir sua mente.

Chega dezembro, época de férias. Verão, sol rachando, você se reúne com seus amiguinhos no fim da tarde pra uma cerveja – ou suco de goiaba fresquinho feito pela sua vovó. Todo mundo anima, ligam o som e aumentam o volume no máximo que a legislação urbana permite. A tarde vai caindo, o sol se põe e a alegria de vocês acaba.

– BRUEEEEEEEM HEIN HEENIEINENEEEEEEEEEEEEEEEIN UUUUUUUUUUUH INEINEINIENIENIE

É nessa hora do dia que começa o show das cigarras, animaizinhos do tamanho de uma azeitona preta gordinha que têm asas e cantam mais alto que um show de metal norueguês.

Quando Deus tava criando os insetos na sua versão SPORE® – Divine Version, que estará à venda em breve nas melhores lojas do ramo, ele pensou na sua tarde de folga:

– Pô, tarde chata, calor do caralho, Faustão na televisão. Tô de boa aqui jogando… terminei o trampo todo, acho que vou dar uma sacaneada.

Então ele criou as cigarras. Claro, mais um monte de bicho dos quais falaremos em breve aqui no ODEIO E JUSTIFICO ESPECIAL PLANETA TERRA. Brincadeira.

Caso você more em cidades onde a cor verde ainda não existe somente nas caixas de lápis de 36 cores – leia-se ‘lugar que ainda possui árvores ou qualquer restinho de ecossistema” – as cigarras são arroz de festa. Aparecem em todo lugar, o tempo todo. Aliás, não só elas. Assim como os humanos começam a tirar as roupas no verão, todos os insetos DO MUNDO INTEIRO começam a migrar para as cidades. Talvez em busca de oportunidades, à exemplo do êxodo nordeste-sudeste nos anos 80.

Aqui em Sertãozinho, por exemplo, enquanto esperamos que as centenas de cabeças de boi atravessem a única rua da cidade, reúnimos todos os trinta e quatro habitantes em torno de uma mesa de frente à prefeitura municipal – uma capela de quinze metros quadrados onde residem o Prefeito, o Xerife e o Coronel (vale dizer que todos são a mesma pessoa) – e esperamos que a cantoria das cigarras comece. Como os bois são burros, ficamos ali sentados por horas e horas. Toda a cultura local resume-se em cantarolar cantigas campestres seguindo o ritmo das cigarras, enquanto chupamos cana-de-açúcar.

Mas o que essas criaturas têm de especial? Pois eu te digo: tudo.

Antes de sair chutando o cadáver de uma cigarra morta, pense duas vezes. Aquela criatura tem idade pra ser sua mãe. Algumas espécies de cigarra passam DEZESSETE ANOS debaixo da terra, só se alimentando da seiva de plantas. Quando decidem que já é hora de sair da adolescência e virar gente grande, elas resolvem sair da terra TODAS AO MESMO TEMPO e subir na vida. Literalmente. Uma vez fora da terra, as cigarras sobem até o topo das árvores e começam a metamorfose, trocando de pele e adquirindo seu corpo adulto.

Quando já são mocinhas, as cigarras fêmea saem por aí fazendo doce e oferecendo seu corpinho para os machos. Aquele som absurdo característico das cigarras é realizado apenas pelos machos, que usam o canto pra atrair as fêmeas. O canto de uma cigarra pode alcançar facilmente os 120 decibéis, algo tão sutil quanto uma TURBINA DE AVIÃO. Algumas espécies cantam ainda mais alto, em frequências tão absurdas que o ouvido humano é incapaz de detectar. Cachorros, gatos e pássaros conseguem. Azar o deles.

Já as fêmeas produzem um som mais discreto, parecido com um estalar de dedos. Fato curioso. os machos são delicadamente menores em tamanho do que as fêmeas, portanto se você avistar um macho e estalar os dedos, vai atrair a atenção deles, como se tivessem hipnotizados. Eles literalmente pensarão que você é uma fêmea e começarão a seguir a direção dos estalos, até começarem a cantar. Se eles te jogarem um papo e te pagarem um drinque, vai ser comido por um macho e vai virar o Cell.

Outro fator curioso: as cigarras não escutam o próprio canto. Seus “ouvidos” são protegidos por uma fina película que as impede de ficarem surdas ao tentarem descolar uma bimbada.

Se você der sorte de conseguir capturar um exemplar desta moléstia de Deus contra a humanidade, vai perceber que não oferece resistência alguma. São insetos pacíficos que só vêm ao mundo pra três coisas: cantar, foder e morrer.

Ok, o macho canta, a fêmea abre as pernas e pronto. Os dois trepam, mas ao atingir o climax o macho MORRE. Não somente morre, o macho EXPLODE. É comum ver os ‘restos’ do macho por aí, sem o abdômen. A fêmea ainda vive, deposita os ovos e MORRE também. Que beleza.

O que tudo isso tem de interessante? As cigarras são os equivalentes artrópodes dos humans no reino animal. Vamos usar a vida das cigarras pra contar a história de Marquinhos, o menino cigarra.

Marquinhos nunca gostou muito de sair de casa. Até os 17 anos, praticamente não saiu de casa e só queria saber de comer. Marquinhos um dia ficou obeso e decidiu que era hora de tomar vergonha na cara: saiu de casa e começou a fazer exercícios físicos. Um dia, enquanto praticava escalada, encontrou um folheto da faculdade.

Marquinhos gostava muito de música, então fez a matrícula e começou o curso de canto lírico. Um dia, nas aulas de canto, um empresário viu que Marquinhos atingia notas altíssimas e convidou-o para gravar um CD com uma banda de metal.

Então Marquinhos começou a ensaiar com a banda. Um dia, num festival com diversas outras bandas de metal, Marquinhos estava lá cantando e uma fã aproximou-se do palco. Os dois trocaram olhares e Marquinhos disse “passa lá no meu camarim depois do show”. A fã lá apareceu e os dois se pegaram.

Durante o ato sexual, Marquinhos grita:
– AH EU VOU GOZAR